
Quando observo meus amigos amparados no porto seguro da fé, não raro sinto-me como um marujo solitário em noite fria e escura de mar revolto. Ondas ao alto, ameaçadoras… rajadas de vento, impiedosas… açoites da água, dilacerantes, como que querendo arrancar a pele do marujo logo ao primeiro contato, num vai e vem contínuo, interminável e desesperador do barco, jogado, de lá, para cá, aos caprichos de forças desconhecidas. O marujo sabe que existe o farol da fé que guia seus companheiros pelos mares em noites tempestuosas, e nas de calmaria, também. Mas, por alguma razão, ele está sempre de costas para este farol. Recusa-se a voltar seu olhar para onde todos apontam. Sua luta contínua e solitária parece ser a única realidade que conhece e da qual teima em não se desapegar. Pobre marujo! Por quanto tempo ainda resistirá… até ser definitivamente engolido pelo mar?
____________________________ FIM ________________________________