Tecnologia, use-a com moderação!

Se pararmos para refletir um pouco sobre o tipo de vida que levamos nesse nosso dia-a-dia, perceberemos que estamos sempre com a sensação de que o tempo de que dispomos é insuficiente para darmos conta de todos os compromissos os quais nos propomos a cumprir, sejam eles profissionais, ou não. E o curioso é que com o advento da tecnologia, o que se deveria esperar seria justamente que sobrasse muito mais tempo livre para desfrutarmos da vida com melhor qualidade! Afinal de contas, hoje em dia ninguém mais lava a roupa na beira do rio, ou planta e colhe o próprio alimento, nem mesmo manufatura seus utensílios de uso pessoal ou de trabalho. Tudo está à nossa disposição num simples estalar de dedos ou, para ser mais moderna, num “touch” de qualquer novidade eletrônica que existe por aí, e que certamente será substituída por outra novidade eletrônica ainda mais moderna, mal nos acostumemos com as habilidades e facilidades da primeira. Sem falar no avanço da medicina, através da qual estamos aumentando nossa longevidade com novas abordagens clínicas e tratamentos alternativos que contemplam o bem estar geral da mente e do corpo. Mas… se temos conhecimento e tecnologia suficientes para vivermos mais e melhor, por que então o estresse, a eterna sensação de falta de tempo, de vazio, de uma insatisfação mal definida, muitas vezes até interpretada como depressão, parece permear nossa vida quase que continuamente?!

Na minha opinião, esta mesma tecnologia que nos parece sempre tão benéfica talvez esteja justamente no cerne da questão. Sem nos dar-mos conta da situação, talvez a tenhamos deixado entrar demais em nossas vidas, o que me faz pensar, não sem um certo receio, que o melhor amigo de uma criança dos dias de hoje possa vir a ser uma inteligência artificial, num futuro não muito distante! E acredite, isto não é tão improvável, assim!

compras-compulsivas-oniomania-impulso-compras-economia-gastos-excessivos-viciado-em-compras-1477940314925_1920x1280Não bastasse isso, vivemos numa sociedade do consumo, pelo consumo!

Passeando por um shopping da cidade, observei a infinidade de lojas vendendo diferentes tipos da mesma coisa com o simples objetivo de estimular o consumo nas pessoas. E haja promoções para o dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, Páscoa, Natal, Black Friday, etc., etc., etc. Fico então pensando no quão comerciais e mais isoladas nossas vidas se tornaram. Diga lá quem, como eu, já não se viu conversando com amigos e familiares através do computador, ou celular, quando bem poderia estar desfrutando da presença de seus interlocutores num finalzinho gostoso de tarde, quem sabe, passeando por alguma das várias praças da cidade, em meio às árvores, pássaros e até, vá lá, um pouco de poluição? Ah! Não! Por questões de praticidade, segurança, falta de tempo, trânsito, etc. cada um de nós prefere ficar diante do seu aparelho eletrônico conversando de maneira “isolada” e sedentária com o outro. E então o meio ambiente, que bem poderia ser o palco de tantos encontros e de atividades prazerosas para nós, transforma-se simplesmente numa linda paisagem que alguém compartilhou no seu “feed” de notícias preferido, de alguma rede social qualquer, mas que não tem cor, cheiro, textura, gosto… não tem vida! E se o meio ambiente se restringe ao que está do lado de fora da minha janela, enquanto eu fico confinada num espaço fechado qualquer, olhando para a tela do meu computador, distraindo-me com um monte de informações, em sua maioria irrelevantes, dá bem para entender porque ainda vemos tanta degradação do nosso querido planeta: consumo desenfreado e insustentável para o meio ambiente, relações humanas e verdadeiras mais escassas e pouco contato real com a natureza.

É claro que nem todos são assim. Muitos já acordaram para uma vida menos virtual, mais consciente, salutar e sustentável. Mas é preciso que o resto do mundo também acorde para essas questões tão importantes e que afetam, sem exceção, a todos nós e de um modo absolutamente geral! Pois não se iluda, a irresponsabilidade com que o meio ambiente for tratado por qualquer governante, de qualquer país, em qualquer parte do mundo, cedo ou tarde, afetar-nos-á de modo irremediável por aqui, também! Por esse motivo precisamos de agir! E logo!

Tomando o celular como exemplo emblemático da nossa modernidade, nem se questiona sua importância nos dias de hoje, pois já é parte integrante de nossas vidas. Mas é sempre bom lembrar que se trata apenas de uma ferramenta de entretenimento e de prestação de serviços diversos que, ainda assim, só é segura e eficaz se for devidamente utilizada. Vivemos na era dos 127 caracteres, das notícias resumidas, das palavras “comidas” nos “SMS” da vida, da falta de tempo para tudo. Um jornalista comentou uma vez que o importante não é dar a notícia, mas apenas chamar a atenção! Tudo é muito rápido e exíguo: imagens, informações, conteúdos, etc. muitas vezes desprovidos de sentido e significado. E não se iluda! Tudo é intencional! Quanto mais informações o pobre internauta tiver e na maior velocidade possível, menos capacidade mental ele terá de tomar decisões com o devido discernimento, tornando-se suscetível a todo e qualquer apelo comercial que houver na página. Não por acaso, observamos tanta propaganda em volta de qualquer assunto, foto ou manchete exibida nas páginas da internet, ou em qualquer rede social! Se alguém duvida da eficácia desta técnica de venda, é só contar quantas vezes já ouviu e ainda ouvirá um filho seu pedir este ou aquele produto (brinquedos, assinaturas de clubes virtuais, joguinhos de computador, etc.) que ele, ou o amigo da escola descobriu em algum destes meios de comunicação.satirical-illustrations-addiction-technology-3__605 Tentamos preencher o vazio de nossas vidas com um consumismo desnecessário, em reposta a tantos apelos comerciais com os quais somos diariamente bombardeados, ou buscamos distrações diversas num mundo virtual que pode condenar-nos a um auto-isolamento de modo bastante preocupante!

Em relação aos joguinhos de computador e afins, eu não sou contra a diversão preferida de muitos internautas, mas acho que eles não deveriam concentrar, em si, tanta atenção de tantas crianças e de tantos adultos como geralmente se vê por aí, sob o risco de eles se tornarem escravos sedentários e totalmente manipuláveis da tecnologia que oferece este tipo de entretenimento, tais como os personagens da realidade virtual, avatares, com os quais muitas pessoas se relacionam às vezes até melhor do que com pessoas reais! E acredite, existem técnicas eficazes para se garantir isso! Vide a eleição do Trump, há alguns anos atrás!

Na minha opinião, há que se procurarem também formas diferentes de entretenimento, não como substituição a estas alternativas de última geração existentes, que até são muito legais, mas simplesmente como outras boas opções de diversão! E quais seriam essas outras opções? Meu Deus! Tantas! O que a nossa imaginação desejar! Leitura, teatro, música (aprender a tocar algum instrumento, por exemplo), visita a museus e exposições, encontros “reais” com amigos ou familiares, busca de uma espiritualidade maior (precisamos mais de Deus e de amor em nossos corações), um simples passeio pelo bairro onde se mora, atividades físicas, etc., coisas simples que estão ao alcance de qualquer um de nós. Não precisamos de trocar de celular todo ano, ou comprar o último lançamento de calçado da estação, para sermos felizes! O consumo deve ser utilizado apenas para atender às necessidades reais do indivíduo, e não como gatilho psicológico para preencher aquele vazio existencial cada vez mais presente na nossa sociedade!

Mas alguém poderia dizer que o comércio gera empregos e as pessoas precisam deles para sobreviverem! Sim, concordo plenamente! Mas então nós deveríamos tentar mudar o paradigma do “crescimento econômico”, como agente de desenvolvimento de uma nação, para o paradigma do “equilíbrio econômico”, para a garantia da sobrevivência do nosso próprio planeta! No crescimento econômico, o objetivo é sempre produzir mais para vender mais, gerar mais empregos e arrecadação de impostos que hipoteticamente gerariam mais benefícios para os cidadãos, como educação de qualidade, segurança pública, atendimento de saúde digno, etc. Entretanto, produzir mais significa utilizar cada vez mais os recursos da natureza que em determinados lugares já se tornaram críticos. Só para citar um exemplo, 18% da população do planeta não tem acesso à quantidade mínima de água para consumo. Tente colocar-se no lugar de apenas uma dessas pessoas que já não pode mais dispor de tão precioso recurso. Quantos dias você acha que aguentaria sem água para tomar banho, lavar sua roupa ou, o mais importante, beber? Isto sem contar no lixo gerado durante toda a cadeia produtiva de qualquer produto vendido, que invariavelmente volta para essa mesma natureza através 1) da água, quando rios ou lagos recebem esgoto doméstico e industrial sem tratamento prévio, 2) da terra, quando fertilizantes, defensivos agrícolas, metais pesados, rejeitos hospitalares, etc. contaminam o solo, ou 3) do ar, onde os poluentes atmosféricos já começam a tornar a vida humana insuportável em determinados locais. Na China, só para citar um exemplo, os habitantes de Linfen são continuamente expostos ao monóxido de carbono, arsênico e chumbo por causa das indústrias carvoeiras existentes nesta cidade e que são responsáveis pela maioria das doenças crônicas observadas na região, como bronquite, pneumonia, envenenamento por chumbo e até câncer.

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Por outro lado, se tentarmos imaginar uma sociedade em que o equilíbrio econômico seja alcançado, o que também incluiria um equilíbrio populacional, onde a diferença entre número de nascidos e mortos não impactaria tanto o meio ambiente, talvez conseguíssemos chegar a uma condição satisfatória tal em que o que se produzisse na sociedade fosse totalmente reabsorvido por ela mesma, sem descartes, ou com descartes mínimos para o meio ambiente. O controle demográfico se faria com o devido esclarecimento da população aliado a incentivos públicos para este fim. Deste modo, talvez se conseguissem evitar explosões demográficas em áreas verdes e mananciais, protegendo-as da destruição das faunas e floras locais e da impermeabilização dos solos, que ocorrem de modo cada vez mais acelerado com novas construções habitacionais, muitas delas infelizmente irregulares! Ao invés de novos desmatamentos para novas construções, seria interessante que os empresários do setor tentassem, por exemplo, recuperar, revitalizar áreas já degradadas pela atividade humana através de incentivos fiscais do poder público para esse fim! Estes novos locais seriam planejados para serem auto-suficientes, com fontes próprias e renováveis de energia e todo o esgoto seria tratado antes de chegar ao seu destino final. Se os gestores públicos não tiverem recursos para oferecer tal infra-estrutura para a população local, poderia ao menos ceder o espaço (terras) para a iniciativa privada fazer o tratamento do esgoto e geração de energia, por exemplo. Falo aqui de uma parceria entre iniciativa pública e privada que seja benéfica para todos, inclusive para o povo, eleitor e contribuinte tão cobiçado em anos de eleições!

Sim, é um grande desafio buscar formas alternativas e sustentáveis de se viver neste nosso planeta, mas enfrentar este desafio já não é mais uma simples opção nossa! Tornou-se uma necessidade para garantir a nossa própria sobrevivência! E o governante que abraçar esta questão como um verdadeiro estadista, pensando realmente na nação e não como um político medíocre preocupado apenas e tão somente com sua próxima reeleição, poderá ficar para a história do nosso país como aquele que pensou no povo e no meio ambiente para além do seu próprio mandato!

Bom… não custa nada sonhar, né?!

E a tecnologia aqui pode ajudar-nos muito ao fornecer melhores condições de vida para a população, viabilizar ações concretas na busca de fontes alternativas de energia e de defesa do meio ambiente, disponibilizar aplicativos através dos quais possamos monitorar nossos governantes sobretudo no modo como gastam nossos limitados recursos, enfim, uma infinidade de possibilidades!

technology-painting-32-1Veja que a tecnologia, em si, não é boa, nem má! Tudo depende de para qual finalidade a destinamos. Cito um exemplo: o laser tanto pode ser utilizado numa cirurgia de catarata, que pode devolver a visão para uma pessoa que já nem se lembrava mais de como eram as cores do arco-íris num finalzinho de tarde chuvoso, como também pode ser utilizado como mira de uma arma letal capaz de dizimar toda a família desta mesma pessoa, antes cega. Então, em última instância tudo se volta para o ser humano e no poder inquestionável que ele detém em suas mãos para criar, ou destruir …

Daí o tema desse texto: Tecnologia, use-a com moderação!

Talvez eu devesse ter escrito: Tecnologia, use-a com sabedoria e compaixão!

Então caro leitor(a), usemos a tecnologia com moderação, sabedoria e muita compaixão, colocando-a aos nossos serviços, e não o contrário! Menos vida virtual, mais experiências reais, é o que eu recomendo. E das opções que eu sugeri neste texto para se fazer fora das telas de equipamentos eletrônicos, a minha preferida é a atividade física! Embora seus benefícios já sejam bem conhecidos, poucas pessoas sabem que a endorfina, substância química do nosso organismo que funciona como um neurotransmissor normalmente liberado aproximadamente após 30 minutos de exercícios físicos aeróbicos simples (corrida, bicicleta, natação, etc.), provoca-nos uma sensação de bem estar e euforia que por si só já se justifica nessa nossa vida muitas vezes agitada e estressante. Isto sem falar na melhora de memória, concentração, sistema imunológico, bloqueio de lesões dos vasos sanguíneos e outras vantagens que um profissional da área pode explicar melhor. A disciplina dos exercícios, o estabelecimento de objetivos a serem alcançados, atividades em grupo, quando possível, o respeito ao próximo, ao meio ambiente, enfim, todo este processo resulta na busca contínua e gratificante de uma melhora pessoal, conduzindo-nos naturalmente para uma reflexão interior que nos torna melhores críticos de nós mesmos e do mundo que nos cerca, poupando-nos, talvez, da triste condição de meros consumidores tributáveis e poluidores ambientais! Com novos valores, novas atitudes, buscando o simples, menos consumo, mais convivência com pessoas reais podemos eventualmente preencher aquele vazio que consumismo nenhum no mundo consegue suprimir. Até mesmo a eterna falta de tempo pode ser equilibrada com uma valorização daquilo que de fato mereça a nossa atenção, como a saúde, família, lazer, amigos e trabalho, tudo na sua devida medida e relevância. Com esse novo olhar para a vida, certamente sobrará mais tempo para aproveitá-la de modo melhor e sustentável, percebendo como somos importantes para nós mesmos e para o mundo que nos cerca! É certo que podemos experimentar essa nova realidade a qualquer momento e em qualquer lugar, basta para isso querermos. Mas, para aqueles que precisam de uma ajudinha para começar a fazer pequenas mudanças no seu dia-a-dia, fica aqui o meu convite:

Bora pedalar no parque ?

Fui !

Rsrsr…

forest bike bulls

Foto por Philipp M em Pexels.com

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About Kenya, uma simples amiga!

Mulher, cientista, quase espírita e sonhadora, muito sonhadora...