Não sei quanto a você, meu caro leitor, minha cara leitora, mas como resultado da minha preocupante análise dos fatos recentes que vem ocorrendo no mundo, um sentimento crescente de medo e de incertezas vem tomando conta do meu coração.
Sinto, nos ossos, que a desconstrução da nossa sociedade, tal como a conhecemos, está em franco curso!
É fato que desde sempre a nossa sociedade está muito longe do ideal de convívio que nós buscamos, na qual esperar-se-ía que o amor e o respeito ao próximo fossem um padrão consensual de conduta entre todos.
A evolução da humanidade é lenta, bem o sabemos, mas eu também jamais imaginei que nós poderíamos, algum dia, estar à beira de um retrocesso total de valores humanos que nos são tão caros, como a liberdade de ir e vir, liberdade de pensamento, crença na ciência, empatia, respeito à diversidade de gênero, de raça, de crença,… enfim, tudo aquilo que nos define ou pelo menos nos deveria definir como seres humanos que desejam conviver pacificamente, uns com os outros!
Sim, eu acredito que estejamos, talvez de modo até não intencional (hipótese), diante da destruição da nossa sociedade tal como a conhecemos. E entendo que talvez isto não seja tão perceptível para muitos porque a mudança não se dá da noite para o dia! Trata-se de um processo lento, muitas vezes ocorrendo de dentro para fora e, quase sempre, envolvendo uma combinação de fatores políticos, econômicos, sociais e culturais, cujas relações, entre si, nem sempre são muito óbvias!
Um exemplo de um fator perigoso, e bem evidente na nossa sociedade, é a corrupção sistêmica dos nossos órgãos públicos, pois quando a corrupção se torna a norma, os recursos públicos deixam de ser investidos no bem-estar da população e passam a beneficiar apenas uma elite, o que claramente mina a nossa confiança nas instituições e gera um ciclo vicioso de impunidade.
Um outro exemplo para mim, e bastante óbvio, é a destruição da nossa já tão sofrida educação, pois a melhor maneira de enfraquecer uma sociedade e, assim, manipulá-la, é reduzir-lhe a qualidade do pensamento crítico. Um povo sem a devida instrução sente mais dificuldade em pensar por si mesmo, não reconhece, ou sequer entende o seu direito à cidadania e acredita em fake news, sendo por esse motivo facilmente levado a tomar decisões equivocadas para si próprio e para o meio, onde vive.
Quer destruir uma nação? Crie polarizações e provoque a desunião entre o povo! Criando divisões artificiais dentro da sociedade, seja por questões políticas, raciais, religiosas ou ideológicas, o tecido social é facilmente enfraquecido. As pessoas perdem um tempo inestimável brigando entre si, distraídas, distantes que estão das questões de fato relevantes e que afetam suas vidas, enquanto os verdadeiros problemas permanecem convenientemente sem solução.
O descontrole econômico, esse nosso já velho conhecido, é também um outro exemplo muito eficaz para desfazer uma sociedade, pois afeta diretamente a qualidade de vida, ou mesmo a sobrevivência do indivíduo pertencente a esta sociedade! Sua falência pode ser acelerada por decisões econômicas irresponsáveis, como gastos públicos excessivos por gestores populistas e/ou incompetentes, o que gera um aumento descontrolado da dívida pública e da inflação. Quando o custo de vida dispara e o desemprego cresce, o desespero leva ao descontentamento geral e, possivelmente, ao caos!
E o que dizer da erosão das instituições democráticas? Quando os três poderes do Estado: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário perdem a confiança do povo, seja por autoritarismo ou ineficiência, a governabilidade entra em colapso. Sem leis justas e instituições fortes, o país se torna instável. Aliás, num país, onde a impunidade é regra, não dá para exigir do povo qualquer tipo de conduta que seja baseada no respeito às leis! Vamos combinar?
Outro motivo igualmente importante é a normalização do crime e da violência! Quando a insegurança toma conta das ruas e o crime organizado assume o controle de regiões inteiras, e isto quando não começa a fazer parte das próprias instituições públicas, o Estado perde sua autoridade, a população vive aterrorizada e a qualidade de vida despenca.
Eu tenho visto tudo isso acontecer em meu país, assim como em vários outros países do resto do mundo, e me pego perguntando:
– Para que tudo isso, meu Deus do céu ?
Tudo isto pelo poder, pelo dinheiro, pelo domínio de determinados grupos de interesses em detrimento de uma nação inteira, ou do planeta? Pois, sim, como se ainda não bastasse, ainda temos a contínua degradação do meio ambiente que se dá principalmente por questões meramente econômicas!
É preciso despertar para os problemas que estão batendo na nossa porta, já há muito tempo, e enquanto ainda há tempo!
Dizer não à corrupção, tomar cuidado para não ajudar, talvez até por ingenuidade, a espalhar fake news, votar em políticos realmente comprometidos com o bem estar do povo (isto é um verdadeiro desafio, reconheço), valorizar e exigir uma educação de qualidade e dar o nosso melhor às pessoas com as quais convivemos no nosso dia-a-dia.
Não dói nada procurarmos ter mais empatia, uns com os outros!
Por mais piegas que possa ser este meu comentário, o mundo precisa de mais amor e menos ódio!
E o que eu mais tenho visto, ultimamente, é a propagação do ódio, da intolerância, da desinformação, do jogo de narrativas majoritariamente falsas na defesa de interesses de poucos e, o pior, o povo começando a achar tudo isso normal e tentando se adaptar a isso tudo!
Não! Isso não é normal!
Temos que resistir a esse “novo normal” que certamente acabará por nos destruir, se não fizermos nada, para impedir!
___________________________ FIM _________________________________