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ENTRE O CÉU E O CHÃO
A FÉ QUE NÃO CABE EM RÓTULOS!
O elevador do prédio, onde moro, costuma ser um encontro religioso improvisado. Gente de todo o tipo apertada em poucos metros quadrados, cada um segurando suas próprias urgências. Ontem, por exemplo, a porta se abriu no décimo andar e entrou o Sr. Oliveira, um vizinho muito boa gente que sempre carrega a mesma sacola de pano e um sorriso largo, no rosto.
– Bom dia!
Disse-me ele, ajeitando os óculos tortos.

Reparei que, preso ao zíper de sua sacola, brilhava um pequeno símbolo de “OM” e comentei curiosa, meio que em tom de brincadeira:
– Eu não sabia que o senhor era hindu, Sr. Oliveira!
Rindo-se do meu comentário, ele balançou a cabeça com a calma de quem não tem pressa em convencer ninguém.
– Não sou!
Respondeu-me gentilmente. E, apontando para o símbolo, continuou:
– Eu o ganhei de um amigo! Gosto do som, pois me lembra de que preciso respirar devagar.
Poucos andares depois, entrou a Sra. Müller, evangélica praticante, carregando um bolo de cenoura recém assado, para a netinha. Fez o sinal da cruz, hábito da infância que nunca abandonou, cumprimentou a todos de forma atenciosa e comentou sobre o cheiro gostoso de café coado, que parecia subir do andar inferior.
E eis que, do andar inferior, surgiu o Mestre de Tai-Chi Alex (não sabemos, se é ele quem faz esse café tão cheiroso, que diariamente tortura a todos nós…) com um sorriso sempre cativante no rosto e desejando a todos “O Mi Tuo Fo”, uma linda saudação budista.

Mais alguns instantes e desta vez foi a Sra. Schneider, que veio nos fazer companhia naquele curto passeio, elevador abaixo. Trazia um colar de Iemanjá, seu orixá de devoção, cheio de contas azuis cor do mar a adornar-lhe o pescoço. Entusiasmada e com semblante iluminado, talvez por alguma alegria contida, ela nos desejou um “Bom Dia!” de modo tão contagiante que também meu coração vibrou de alegria, com a expectativa de que um lindo dia estaria por vir.
Naquele pequeno espaço metálico, OM, cruzes, contas coloridas, fermento e muito afeto misturavam-se numa espécie de “coreografia silenciosa”! E eu, espectadora privilegiada, sentia que aquela cena tinha algo de sagrado: cinco pessoas espremidas entre espelhos, partilhando calor humano sem se preocuparem com as escolhas religiosas, umas das outras.
E desci no andar térreo pensando exatamente nisso: Há uma fé que não cabe em rótulos!
Ela pulsa na cozinha que alimenta um vizinho doente, no recado de um “volto ja´”, deixado na porta de uma loja para não deixar o freguês “na mão”, no abraço dado sem teologia sobre a mesa, no ouvido amigo de quem está ali só para escutar, sem julgamentos, num beijo sincero de quem só deseja o bem, sem exigir nada, em troca…
Rótulos podem até ser úteis. Ajudam a organizar ideias, ritos e calendários. Mas também podem virar caixinhas apertadas! A fé verdadeira gosta de espaço! Precisa circular pelo cotidiano: sujar a barra da calça, cuidar de plantinhas, segurar portas, suportar silêncios…
Se ficar trancada só dentro do templo, mofa!
Lembro-me das histórias sobre Jesus conversando com uma samaritana, Buda ensinando em mercados livres, Kardec explicando sobre a importância da caridade, Iansã dançando ao sabor do vento, mesmo antes que alguém pensasse em lhe erguer um terreiro. Todos eles pareciam entender que o sagrado não é refém de rótulos: hinduísmo, catolicismo, evangelismo, budismo, espiritismo… e que Deus, ou seja lá o nome que se queria dar a Ele, sente-se à vontade onde houver um coração disponível!
Mais tarde, ao final do dia, encontrei o Sr. Oliveira novamente, agora sentado no banco de uma praça que fica em frente ao nosso prédio. Ele brincava de soprar bolhas de sabão com a sua netinha, que gargalhava até não poder mais. Encantada com a cena, sentei-me ao seu lado e contei-lhe que, por um instante, eu havia cogitado em adotá-lo como meu guru.
Ele voltou a rir, soprando mais uma bolha de sabão que estourou bem antes de tocar o céu alaranjado do entardecer. E, piscando-me um olho, disse-me:
– Se você descobrir algum guru que ria tanto das próprias certezas, avise-me!
Voltei para casa leve, convencida de que a fé, para ser real, precisa de caber num elevador apertado, numa sacola de pano, num abraço quentinho, num beijo sincero, em bolhas de sabão que duram menos que um suspiro…
O resto? Ah, o resto, meu amigo, não passam de rótulos bonitos que podem até ser úteis, mas são incapazes de conter o infinito!
Bora tomar um café?
___________________________ FIM _________________________________
Se você chegou até aqui, receba meu sorriso : )
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✒️ BETWEEN SKY AND GROUND
FAITH THAT DOESN’T FIT IN LABELS!
The elevator in the building where I live often becomes am impromptu religious gathering. People of all kinds squeezed into a few square meters, each carrying their own urgencies. Yesterday, for example, the door opened on the tenth floor and in came Mr. Oliveira, a very kind neighbor who always carries the same cloth bag and a big smile on his face.
“God Morning!”
He said to me, adjusting his crooked glasses.

I noticed that attached to the zipper of his bag was a small shiny “OM” symbol, and I commented curiously, half-joking:
“I didin’t know you were Hindu, Mr. Oliveira!”
Laughing at my remark, he shook his head with the calm of someone who’s in no rush to convince anyone.
“I’m not!”
He replied kindly. Then, pointing to the symbol, he added:
“I got it from a friend! I like the sound – it reminds me to breathe slooowly.”
A few floors later, in came Mrs. Müller, a practicing evangelical, carrying a freshly baked carrot cake for her granddaughter. She made the sign of the cross – a childhood habit she never gave up- greeted everyone attentively, and commented on the pleasant smell of fresh coffee that seemed to rise from the floor below.
An then, from that very floor, came Tai-Chi-Master Alex (we’re still not sure if he’s the one who makes that delicious-smelling coffee that tortures us daily…) with his ever-charming smile, whishing everyone “O Mi Tuo Fo”, a beautiful Buddhist greeting.

Moments later, it was Mrs. Schneider’s turn to join us on the short trip down. She wore a Yemanjá necklace – her devoted orixá- adorned with sea-blues beads. Enthusiastic and with a glowing face, perphaps lit by some quiet joy, she wished us a “Good Morning!” so contagiously that even my heart felt lifted, hopefgul that a beautiful day lay ahead.
In that tiny metalic space, “OM” symbols, crosses, colores beads, baking powder, and genuinewarmth blended into a kind os “silente choreography”. And I, a privileged observer, felt there was sometinhg sacred about that scene: five people squeezed between mirrors, sharing human warmth without worrying about each other’s religious choices.
And I got off on the ground floor thinking exactly that: There’s a kind of faith that doesn’t fit in labels! It pulses in the kitchen feeding a sick neighbor, in the note that says “be right back” left on a shop door so a customer isn’t let down, in the hug given without theology across the table, in the friendly ear that listens without judgment, in the sincere kiss given out of goodwill withoout expecting anything in return…
Labels can certainly be helpful. They help organize ideas, rituals, and calendars. But they can also become tight litle boxes! True faith loves space! It needs to flow through daily life: getting your pants dirty, tending to plants, holding open doors, enduring silences…
If it’s locked up only inside a temple, it molds!
I remember stories of Jesus talking to a Samaritan woman, Buddha teaching in open markets, Kardec explaining the importance of charity, Iansã dancing to the rhythm of the wind long befor anyone thought to buid her a temple. They all seemed to understand that sacred is not held captive by labels – Hinduism, Catholicism, Evangelicalism, Buddhism, Spiritism… and that God, or whatever name one chooses to give it, feels at home wherever there is a willing heart!
Later in the day, I saw Mr. Oliveira again, now sitting on a bench in the square across from the buildind we live in. He was blowing soap bubles with his granddaughter, who was laughing her heart out. Enchanted by the scene, I sat beside him and told him that, for a moment, I had considered adopting him as my guru.
He laughed again, blowing another bubble that burst weel before reaching the orange-tinged sky of sunset. Then, winking at me, he said:
“If you find a guru who laughs that much at his own certainties, let me know that!”
I went home feeling light, convinced that faith – real faith – needs to fit inside a cramped elevator, a cloth bag, a warm hug, a sincere kiss, in soap bubbles that last less than a sigh…
The rest? Ah! The rest, my dear friend, are just a pretty labels that migh be useful, but are inapable of containing the infinite!
How about some coffee?
________________________ THE END ______________________________
Thanks for sticking around – here’s a smile for you : )
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✒️✒️ ZWISCHEN HIMMEL UND BODEN
GLAUBE, DER IN KEINE SCHUBLADE PASST!
Der Aufzug in dem Gebäude , in dem ich wohne, wird oft zu einer improvisierten religiösen Begegnungsstätte. Menschen aller Art, eingeengt auf wenigen Quadratmetern, jede*r mit seinen eigenen Dringlichkeiten. Gestern zum Beispiel öffnete sich die Tür im zehnten Stock, und Herr Oliveira stieg ein – ein sehr netter Nachbar, der immer dieselbe Stofftasche und eine breites Lächeln im Gesicht trägt.
,,Guten Morgen”, sagt er zu mir und rückte seine schiefen Brillen zurecht.

Ich bemerkte, dass am Reißverschluss seiner Tasche ein kleines, glänzendes ,,OM””- Symbol hing, und sagte neugierig und halb im Scherz:
,,Ich wusste gar nicht, dass Sie Hindu sind, Herr Oliveira!”
Er lachte über meinem Kommentar und schüttelte den Kopf mit der Ruhe eines Menschen, der niemanden überzeugen will.
,,Bin ich nicht!”, antowortete er freundlich und zeigte auf das Symbol:
,,Ich habe es von einem Freund bekommen. Ich mag den Klang – er erinnert mich daran, laaangsam zu atmen.”
Ein paar Stockwerke später stieg Frau Müller ein, eine praktizierende Evangelische, mit einem frisch gebackenen Karottenkuchen für ihre Enkelin. Sie machte das Kreuzzeichen – eine Kindheitsgewohnheit, die sie nie aufgegeben hat. Sie begrüßte alle aufmerksam und kommentierte den angenehmen Duft von frisch gefiltertem Kaffee, der scheinbar aus dem unteren Stockwerk aufstieg.
Und siehe da: Aus dem unteren Stockwerk kam der Tai-Chi-Meister Alex (wir wissen nicht genau, ob er derjenige ist, der diesen köstlich duftenden Kaffee macht, der uns täglich quält…) mit seinem immer einnehmenden Lächeln und wünschte allen ein herzliches ,,O Mi Tuo Fo”, eine schöne buddhistische Bebrüßung.

Kurz darauf stieg Frau Schneider zu uns in den Aufzug. Sie trug eine Halskette von Iemanjá, ihrer Schutzgöttin, geschmückt mit meerblauen Perlen. Begeistert und mit einem strahlenden Gesicht – vielleicht wegen einer stillen Freude, wünschte sie uns ein ,,Guten Morgen”, so ansteckend, dass auch mein Herz vor Freude vibrierte, in der Erwartung eines wunderbaren Tages.
In diesem kleinen metallenen Raum mischten sich OM-Symbole, Kreuze, bunte Perlen, Kuchenaroma und viel Zuneigung zu einer Art ,,stiller Choreografie”. Und ich, eine privilegierte Zuschauerin, spürte, dass diese Szene etwas Heiliges hatte: Fünf Menschen, eingequetscht zwischen Spiegeln, teilen Menschlichkeit, ohne sich um die religiösen Überzeugungen der anderen zu kümmern.
Und als ich im Erdgeschoss ausstieg, dachte ich genau das: Es gibt einen Glauben, der in keine Schublade passt! Der pulsiert in der Küche, die einen kranken Nachbarn versorgt, in der Notiz ,,Bin gleich zurück” an einer Ladentür, damit der Kunde nicht vergeblich wartet, in einer Umarmung ohne Theologie über dem Tisch, im Ohr das nur zuhört – ohne Urteil, in einem aufrichtigen Kuss, der nur Gutes wünscht, ohne etwas im Gegenzug zu erwarten…
Schubladen können durchaus nützlich sein. Sie helfen, Ideen, Rituale und Kalender zu ordnen. Aber sie können auch zu engen Schubladen werden!
Wahrer Glaube braucht Raum!
Er muss im Alltag zirkulieren: sich die Hosen schmutzig machen, Pflanzen pflegen, Türen aufhalten, Stille aushalten…
Wenn er nur im Tempel eingeschlossen bleibt – schimmelt er!
Ich erinnere mich an Geschichten über Jesus, der mit einer Samariterin sprach, Buddha, der auf Märkten lehrte, Kardec, der über die Bedeutung von Nächstenliebe sprach, Iansã, die schon tanzte, bevor ihr jemand einen Tempel widmete. Alle verstande: Das Heilige ist nicht gefangen in Schubladen – Hinduismus, Katholizismus, Evangelikalismus, Buddhismus, Spiritismus… und Gott, oder wie auch immer man Ihn nennenmag, fühlt sich dort zu Hause, wo ein offenes Herz ist!
Später am Tag begegnete ich Herr Oliveira wieder, diesmal aus einer Bank auf dem Platz vor unseren Gebäude. Er spielte mit seiner Enkelin Seifenblasen – sie lachte aus vollem Herzen. Verzaubert von der Szene setzte ich mich neben ihn und sagte, dass ich kurz überlegt hatte, ihn zu meinem Guru zu machen.
Er lachte wieder, blies eine weitere Blase, die platzte, bevor sie den orangefarbenen Abendhimmel berührte. Dann zwinkerte er mir zu und sagte:
,,Wenn du einen Guru findest, der über seine eigenen Sicherheiten lacht, sag mir Bescheid!”
Ich ging leicht nach Hause zurück – überzeugt, dass echter Glaube in einen engen Aufzug passen muss, in eine Stofftasche, in eine warme Umarmung, in einen aufrichtigen Kuss, in Seifenblase, die kürzer leben als ein Atemzug…
Der rest? Ach, der Rest, mein Freund, sind nichts als hübsche Etiketten – vielleicht nützlich, aber unfähig das Unendliche umzuschließen.
Lust auf Kaffee?
________________________ DAS ENDE ______________________________
Schön, dass du bis hierher gelesen hast – ein Lächeln für dich : )
Wenn dir der Text gefallen hat, teile ihn gern. Vielleicht freut sich noch jemand darüber! 🪷
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