Não é sobre Religião, é sobre ser Bom!

Outro dia eu estava tentando entender como os ovos tinham ficado tão caros, quando escutei a voz da querida Dona Carmelita, uma senhorinha muito alegre e simpática, que vez por outra encontro na feira. Ela conversava com a vendedora da barraca de legumes e dizia, com convicção:

– Eu não tenho religião, mas pelo menos eu tento ser uma pessoa boa. Acho que isso já conta alguma coisa, né?

Eu sorri, por dentro, e fiquei pensando que essa frase, tão simples, poderia estar escondendo uma das verdades mais profundas, que talvez devêssemos redescobrir…

Ao longo da história, a humanidade buscou diferentes caminhos para procurar compreender o sentido da vida, o bem e o mal, o sofrimento e a transcendência.

Embora diversas religiões como o Cristianismo, o Budismo, ou Hinduísmo, só para citar algumas, tenham surgido em contextos distintos, elas compartilham princípios universais que apontam para a bondade, a compaixão, a justiça, o respeito ao próximo e à Natureza.

Mais do que meros rituais, ou crenças específicas, essas tradições espirituais propõem um modo de ser, no mundo, comprometido com a ética, com o cuidado e com a evolução moral dos seres humanos.

No Cristianismo, por exemplo, encontramos um mandamento muito importante e amplamente difundido pelo mundo: Amar ao próximo, como a si mesmo.

A Doutrina Espírita amplia essa visão ao considerar a caridade como o caminho essencial para a elevação espiritual.

Já o Budismo nos ensina sobre o sofrimento e a libertação através da compaixão e da consciência plena.

E o Hinduísmo, por sua vez, convida-nos à prática do Dharma: viver em harmonia com os deveres morais e com o equilíbrio cósmico.

Essas religiões, e várias outras, apesar de suas diferenças doutrinárias, convergem para um ponto fundamental: todas promovem valores como compaixão, respeito ao próximo, empatia e solidariedade. O bem não é um conceito abstrato, mas uma sugestão para uma prática cotidiana e urgente!

Mas, infelizmente, vivemos num mundo cada vez mais polarizado, onde a identidade religiosa, ou ideológica frequentemente se torna um marcador de conflito, e não de diálogo! Neste cenário, é comum vermos pessoas se atacando em nome de doutrinas, sistemas ou ideais, esquecendo-se do mais importante: a prática do bem!

Temos vivido tempos em que sistemas econômicos e políticos frequentemente confrontam os valores mais nobres defendidos pelas religiões do mundo todo.

O capitalismo predatório, orientado pela lógica do lucro a qualquer custo, transforma tudo, inclusive pessoas, em mercadorias. Relações humanas são corrompidas pela competição desenfreada. A lógica do “vencer, a qualquer custo” desumaniza. O sucesso é medido pela conta bancária. E, como se ainda não bastasse, o meio ambiente é explorado de forma sistemática e irresponsável.

Na outra ponta, regimes de comunismo autoritário também revelam falhas profundas, na medida em que tentam controlar todos os aspectos da vida das pessoas em nome de uma igualdade imposta, muitas vezes sufocando a individualidade e a liberdade de pensamento. O ideal de justiça social se perde na opressão geral e as relações humanas são destruídas pela desconfiança, pelo medo e pela falta de autenticidade. O coletivo vira pretexto para a opressão e o indíviduo desaparece.

Sim, a sociedade humana com os seus “ismos”: capitalismo para um lado, comunismo para o outro. Um pregando a liberdade de consumo, o outro prometendo igualdade com controle. E, no meio disso tudo, nós nos esquecemos do básico: Esquecemo-nos de sermos bons, de olhar no olho do outro, de ajudar sem receber nada em troca, de cuidar da Terra como se ela fosse a nossa casa, porque de fato o é.

Ser bom deveria ser mais importante do que ser religioso, ideologicamente correto, ou bem sucedido pelos padrões do mercado financeiro.

Enquanto o lucro virou o Deus de uns, o poder virou o Deus de outros, entre discursos, bandeiras e teorias, a bondade ficou ali, tímida, sentada no banco de trás, olhando pela janela do tempo a se perguntar, e querendo mesmo entender, em que momento foi que nós a perdemos.

Eu não tenho a resposta para isso, mas sei de uma coisa: tem gente que nunca entrou numa igreja, que não sabe recitar mantras, que não vota como você, nem pensa como eu, e, ainda assim, tem um coração bom. Gente que escuta, que respeita, que compartilha o pouco que tem. Assim como também tem quem ostente uma cruz, cartilha, ou foice no peito, mas que carrega julgamento, intolerância e descaso nas mãos.

Ser bom é um ato diário. É uma escolha que nasce do reconhecimento do outro como um igual em dignidade, em sofrimento e em esperança.

Que nossas crenças, sejam elas quais forem, façam-nos a cada dia melhores, e não apenas certos! O mundo já tem opiniões demais… O que o mundo precisa, mesmo, é de gente boa, como a Dona Carmelita!

___________________________    FIM    _________________________________

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About Kenya, uma simples amiga!

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