Sugestão: ouça a música “Silent Moon”, durante a leitura!
Fiquei tão impactada com a aula de Chi Kung que tive ontem, no Templo Budista Zu Lai, que resolvi dividir essa experiência com você, meu leitor amigo, minha leitora amiga.
Mas, antes, você sabe o que vem a ser o Chi Kung?
Chi Kung, ou “Qigong,”
* É uma prática milenar chinesa que combina movimentos suaves, respiração consciente e foco mental com o objetivo de cultivar, harmonizar e fortalecer a nossa energia vital, o “Chi” (“Qi“), segundo a medicina tradicional chinesa.
*Envolve sequências de movimentos lentos, muitas vezes inspirados na natureza, como imitar o voo de uma garça, o balançar do bambu, o fluir da água, etc. associados a posturas estáticas, respiração ritmada e foco na percepção da energia interna, que todos nós temos.
*Seus objetivos são: fortalecer a saúde física do corpo, acalmar a mente e reduzir o estresse, melhorar a circulação de energia no organismo, desenvolver equilíbrio interno e bem-estar, prevenir doenças, fortalecer o sistema imunológico e aprofundar a conexão entre corpo, mente e espírito, sendo que este último benefício eu experimentei de forma bastante inesperada, na aula de ontem, e que também me tocou profundamente, razão pela qual resolvi escrever sobre o assunto, hoje.
Diferença entre Chi Kung e Tai Chi:
O Tai Chi é uma arte marcial interna, com sequências coreografadas, nas quais também se trabalha o “Chi”, porém com foco na defesa de quem o pratica, já que se trata de uma técnica de luta.
O Chi Kung é exclusivamente terapêutico, meditativo e voltado para a energia interna do corpo, com foco na saúde, bem estar e equilíbrio dos que praticam esta técnica. Poder-se-ia dizer que o Chi Kung é uma espécie de meditação em movimento, uma ginástica com foco na energia que envolve o corpo e a alma. Uma prática que nos convida a desacelerar, respirar, ouvir o silêncio interior e perceber a vida circulando dentro de nós. Uma espécie de encontro harmonioso e saudável com o nosso próprio “eu”.
No Templo Zulai (https://templozulai.org.br/), os alunos fazem uma hora de prática de Chi Kung para, na sequência, fazerem mais uma hora de prática de Tai Chi. Meu caso. E foi na aula de Chi Kung que vivenciei uma experiência, como disse anteriormente, bastante tocante e inesperada, e que vou compartilhar com você, a partir de agora:
Pois bem, em algum momento da aula de ontem, o professor pediu-me algo bem simples e aparentemente até ingênuo de se fazer: ficar de pé, com os olhos fechados, respirar de forma consciente e me imaginar como se eu estivesse abraçando uma árvore.
Simular tal situação mentalmente não é nada difícil, no Templo Zu Lai, um templo budista cercado por uma natureza exuberante com muitas árvores frondosas e verdejantes, lagos bem cuidados, muitas flores lindas, pássaros diversos e até macaquinhos curiosos que, vez por outra, costumam dar uma espiadela no que nós, humanos intrometidos, estamos aprontando no quintal deles!
– Tarefa simples, fechar os olhos e abraçar uma árvore, mentalmente! – pensei, comigo mesma. E obedeci.
Mas foi então que a vida, sempre com suas surpresas silenciosas, colocou-me numa situação bastante inesperada! Iniciei a meditação tal qual o professor me havia recomendado: imaginei-me simplesmente abraçando uma árvore. Porém, rapidamente, outras imagens tomaram conta da minha mente! Imagens que eu não planejei, não forcei, não busquei. Do nada, elas vieram até mim, como se já ali morassem, quietas, só à espreita de um espaço de silêncio para emergirem…
De repente, não era só eu, quem abraçava aquela árvore. Vi, com uma nitidez que só o nosso mundo interior consegue ter, as minhas mãos entrelaçadas às do meu marido e às do nosso filho, um jovem e adorável moço, dos seus vinte e dois anos, de idade, e que atualmente mora em outro país. Estávamos os três, de corpo e alma, felizes e de mãos dadas, abraçando aquela árvore imensa! Havia algo de mágico naquele cenário. O lugar parecia um bosque encantado, onde tudo respirava beleza, harmonia e paz!
Sorri discretamente, em silêncio!
Mas a cena não parou por aí! Como se o próprio tempo se curvasse diante da memória, meu marido e meu filho foram desaparecendo devagar, da minha mente, para darem lugar ao meu pai e à minha mãe, ambos falecidos. Desta vez, vi-me de mãos dadas com meus pais. Sim, meus pais, que há tempos partiram deste mundo. E estávamos, os três, abraçando a árvore da vida! Que saudades, senti! Eu os via sorrindo, plenos, vivos… no único lugar onde a morte não alcança: dentro do coração!
Sorri, novamente, porém com lágrimas nos olhos.
Ali, de pé, respiração controlada e consciente de que estava numa aula de Chi Kung, fiquei pensando como a nossa mente pode facilmente se tornar uma ponte. Uma ponte silenciosa que atravessa distâncias as mais longínquas, derruba as paredes do tempo e une o que parecia separado.
Naquele momento tão especial e significativo para mim, em torno da árvore, não havia ausência. Não havia perda, não havia passado, nem futuro. Só havia presença. Só havia amor. Só havia aquele instante absoluto, eterno e perfeito, onde tudo e todos simplesmente são.
Talvez esta experiência pela qual eu passei seja só um lembrete. Um daqueles lembretes relâmpagos, que a vida nos envia em forma de suspiro, de imagem, de sensação silenciosa de que não estamos sós! Que carregamos dentro de nós, não só nossas escolhas, mas também nossas raízes. Que o amor não se desfaz com o tempo, nem se perde na ausência. Ele se transforma, cresce e floresce, como aquela árvore que eu, meu esposo, meu filho e meus pais abraçamos com tanto amor e contentamento!
Ao chamado do meu professor, voltei. Abri os olhos. Percebi que já não era mais a mesma…
Talvez fosse isso o que a meditação, a vida, ou quem sabe a própria árvore queriam me dizer:
“Você não está sozinha!“
“As suas raízes a sustentam, o amor que traz dentro de si a une ao todo e a vida floresce não só em você, mas também ao seu redor!”
___________________________ FIM _________________________________
Que experiência incrível!!!
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Sim, muito incrível!
Saí desta aula de Chi Kung transformada!
Recomendo! 🙏😉
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