PARTE I: Será mesmo só uma questão de fé?

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Este não é um conto, já adianto! Trata-se, sim, de uma abordagem crítica sobre um assunto espinhoso que possivelmente desagradará a alguns leitores, talvez até alguns queridos amigos meus! A estes esclareço que não se trata, aqui, de nenhum tipo de provocação, ou ataque às suas crenças pessoais. É apenas a tentativa do entendimento de um tema que eu tenho certeza de que ainda é muito obscuro para muitas pessoas, inclusive para mim mesma!

Aos demais, agradeço pela delicada visita, desejando a todos uma ótima leitura!

Inicialmente, o que me traz aqui é algo aparentemente bem óbvio para qualquer um: recomendar uma análise, sempre que possível, cuidadosa sobre tudo aquilo que nos é dado a conhecer, independentemente da fonte do conhecimento oferecido.

Em outras palavras: não acatar qualquer informação, seja lá de quem for, simplesmente como verdade revelada, sem o devido esforço da ponderação, sem a necessária mediação do pensamento crítico sobre qualquer assunto proposto!

No nosso dia-a-dia, acostumamo-nos a aceitar muitas informações, tidas como certas, sem nos darmos ao menor trabalho de analisá-las mais detidamente quanto à sua autenticidade.

Mas também, francamente, quem é que tem tempo sobrando para isso, hoje em dia, né?

Em nome da praticidade, ou da falta de tempo, nós facilmente “engolimos” muitos conteúdos sem muito esforço, ou grandes resistências, principalmente se a fonte das informações que nos chegam for alguém, como se costuma dizer, de reputação ilibada, ou se vier de pessoas por quem nutramos grande admiração, ou que respeitemos muito, esquecendo-nos de que essas pessoas são, como todos nós, seres humanos, e como todos os seres humanos, passíveis de erros!

E é aí, que mora o perigo!

Cito, por exemplo, o caso do Sr. Camille Flammarion, famoso escritor e conceituado cientista do século XIX, de cuja obra pretendo tratar!

Ocorre que, embora eu me considere uma pessoa de fé e tenha buscado, na leitura de textos relacionados ao espiritismo, os ensinamentos necessários que me auxiliem a compreender o meu real propósito, aqui, na Terra, devo dizer que esbarrei em narrativas que me levaram, por exemplo, a questionar a veracidade de alguns assuntos relatados na obra literária do referido autor, cujo título é: “As Forças Naturais Desconhecidas”, publicada pela Editora do Conhecimento, 1a edição, ano 2011.

Mas eu não venho, aqui, trazer nenhum tipo de questionamento arrogante, daquele de quem tudo duvida. Sugiro, sim, uma análise mais humilde e cuidadosa de quem aceita um “talvez não seja bem assim…”, quando as informações apresentadas suscitarem algum nível de inconsistência que demande inspeção mais criteriosa sobre a sua autenticidade, ou sobre sua validade para determinadas situações apresentadas.

Adianto que meu intuito não é o de tentar difamar nosso caro cientista, muito menos o seu trabalho, o que seria simplesmente insano! Mas entendo que algumas questões abordadas no livro deveriam ter sido verificadas com maior acuidade antes de terem sido apresentadas ao leitor, principalmente se considerarmos que a intenção do Sr. Flammarion, à época, aparentemente era a de defender a então insipiente, e já alvo de contestações, doutrina espírita codificada pelo seu grande amigo Allan Kardec (1804-1869), pois, da maneira como alguns assuntos lá colocados foram tratados, na minha opinião, o efeito acaba sendo contrário ao desejado, ou seja, acaba fornecendo subsídios para os questionadores do espiritismo perseverarem em sua contestação!

Na elaboração de sua obra, o Sr. Flammarion utilizou-se de argumentos científicos para tentar comprovar a veracidade da vasta ocorrência de diversos fenômenos sobrenaturais, divulgados em sua época, e atribuídos à influência de espíritos descritos na doutrina de Allan Kardec, que aqui simplificadamente chamarei de fenômenos espíritas. Como física que sou, também me servirei do mesmo pensamento científico, e acima de tudo, imparcial, para tentar mostrar a fragilidade de algumas afirmações por mim observadas no citado livro.

Meu propósito não é, de modo algum, configurar um ataque à doutrina espírita, na qual permanecem repousadas as minhas mais elevadas esperanças de procurar aproximar-me, ainda que modestamente, de Deus, mas, sim, alertar para o fato de que não podemos fechar nossos olhos para aquilo que normalmente nos causaria estranheza e, em nome de uma fé cega, aceitar, sem critério algum, tudo aquilo que supostamente venha servir de proveito para a propagação da doutrina!

Percebo que a estrada a ser seguida é longa e o caminho é confuso e tortuoso, mas mesmo assim eu convido você a me acompanhar nesta inquietante jornada pela busca da verdade, se é que ela ainda é tangível!

Acredite, será um verdadeiro trabalho de detetive!

E se eu eventualmente incorrer em alguma falha que seja do seu conhecimento, peço-lhe que intervenha e que me auxilie a redefenir a rota daquilo que promete ser uma excitante e desafiadora viagem rumo a um passado já bem distante de nós!

Meu objetivo? Simplesmente o de tentar entender, tanto, quanto possível, o que realmente aconteceu naqueles dias, meses e anos tão antigos, num tempo onde relatos de ocorrências de determinados fenômenos físicos absolutamente fantásticos e inacreditáveis, atribuídos a influências espirituais, eram abundantes, até mesmo corriqueiros e, não raro, com testemunhos de várias personalidades famosas e respeitadas do século XIX, como por exemplo o Sr. Arthur Conan Doyle (1859-1930), médico e escritor britânico, criador do imortal detetive Sherlock Holmes, dos conhecidos romances policiais daquela época, ou o Sr. William Crookes (1832-1919), premiado cientista britânico e famoso por seus pioneiros e profícuos trabalhos desenvolvidos nas áreas da física e da química, que muito contribuíram para o reconhecido avanço da ciência, ou, ainda, o próprio Sr. Flammarion (1842-1925), famoso astrônomo francês, também muito premiado pelos inúmeros trabalhos científicos produzidos durante a sua brilhante carreira científica, só para citar alguns…

Ainda falaremos de várias outras importantes personalidades, ao longo das próximas publicações.

Diversos fenômenos tidos como fenômenos espíritas, vastamente relatados naquela ocasião (levitação de mesas, mesas girantes, materialização de objetos, ou de pessoas mortas e conversas com fantasmas são alguns exemplos destes fenômenos) e tão detidamente descritos neste livro que pretendo abordar, não mais se observam nos dias de hoje. E é justamente, este, o ponto que mais me intriga! O que aconteceu, de lá, para cá, para não mais termos acesso a tais evidências?

Através de várias experiências meticulosamente elaboradas por cientistas competentes, William Crookes foi um deles, e utilizando-se os conhecimentos científicos dos quais se dispunham naquela época, atestaram-se como sendo verdadeiros vários fenômenos espíritas lá relatados. Mas, por quê, com o conhecimento e a vasta tecnologia que se detém atualmente, onde as possibilidades de fraudes tornam-se drasticamente reduzidas, estes mesmos fenômenos, outrora tão abundantes, sequer aparecem nos dias de hoje?

Talvez a resposta esteja na minha própria pergunta…

Tenho plena consciência da severidade das colocações que faço neste momento, mas eu ressalto que minha sincera intenção é apenas a de tentar encontrar possíveis respostas que deem conta de tantas questões que ficaram em aberto, lá atrás, nos idos tempos do Sr. Flammarion e de seus ilustres contemporâneos! Pois não é assim, que se estende a fronteira do conhecimento? Buscando-se por respostas razoáveis para perguntas sinceramente propostas?!

O que é matéria? O que é energia? O que é buraco negro? O que são universos paralelos? O que é espírito? O que é vida? Etc., etc., etc. Na busca pelas respostas a estas, e a tantas outras perguntas, quantas perguntas mais não são acrescentadas às primeiras, criando-se, assim, uma rede infindável de formidáveis campos de pesquisas que tanto envolvem, quanto encantam nossos queridos cientistas?

São as perguntas que impulsionam a humanidade para a sua própria evolução… desde sempre!

Vez por outra me vem à mente a cena poética de um cavaleiro medieval desgarrado de sua legião. Solitário, ele se vê em pé, próximo a um riacho, numa noite serena e especialmente iluminada.

As águas do riacho percorrem tranquilamente trechos de uma densa floresta atravessada, aqui, e acolá, por raios intensos e brilhantes da lua cheia, que lhe conferem um aspecto encantador e convidativo para o necessário descanso.

O cavaleiro assente ao convite suscitado pelo ambiente acolhedor daquela floresta tão peculiar e resolve fazer uma breve pausa em sua longa jornada.

Já com sinais de extremo cansaço pelas inúmeras horas cavalgadas, ajoelha-se à beira do riacho para lavar o rosto.

Seu cavalo aproveita o oportuno momento para saciar a sede e o cavaleiro, entretido, observa-lhe os suaves movimentos da bela crina que brilha sob a luz do luar, numa espécie de agradável dança, entre um gole e outro d’água, num vai-e-vem hipnótico e tranquilizador…

Encantado com o movimento gracioso do animal, e notando que também a sua armadura se reveste de uma beleza singular sob o brilho da lua, o cavaleiro, ainda de joelhos, e numa espécie de humilde reverência, lentamente eleva seu olhar na direção daquela magnífica, aparentemente inalcançável e inesgotável fonte de luz!

Tomado pela magia do momento, após um longo e profundo suspiro de admiração, o solitário viajante secretamente se pergunta:

“…-Seria possível, um dia, o homem viajar para a lua?

Hoje sabemos que a fonte de luz, na verdade, é o sol, e ele não é tão inesgotável, assim… mas, tudo bem! Nosso amigo não teve aula com o meu professor de física, mesmo!

Para além do nosso imaginário cavaleiro, quantas vezes mais essa mesma pergunta realmente não foi formulada? E quantos outros não tentaram respondê-la?

Séculos e séculos se passaram com o homem intrigado por uma questão que, em tempos idos, certamente foi por muitos, porém nem todos, considerada simplória, para não dizer estúpida, se pensarmos que antigamente a vida era bastante rudimentar, onde a fonte de energia era quase que exclusivamente baseada na queima de lenha e carvão. Num tempo em que mal se conseguia locomover, de um lado para o outro, numa simples carroça puxada, talvez, por cavalos, muito menos seria de se pensar em viagens espaciais!

E hoje, após infindáveis tentativas, estudos e pesquisas daqueles que não se incomodaram com a dificuldade da questão colocada, podemos responder, com total segurança:

“-Pois sim, senhor cavaleiro! O homem é capaz de tudo o que sonhar!”.

Sim, são as perguntas que impulsionam a humanidade para a sua própria evolução… desde sempre!

E perguntas é que não me faltam, aqui! Principalmente em relação ao intrigante assunto do qual trataremos ao longo das próximas publicações!

Mas, voltemos ao Sr. Flammarion!

Se ele resolveu usar o conhecimento do seu tempo para tentar responder às perguntas de sua época e, através dos estudos publicados em seu livro, tentou provar a crença que ele tinha na existência dos fenômenos espíritas ali descritos, o que considero bastante legítimo, eu não vejo porque, em pleno século XXI, nós também não possamos tentar rever essas mesmas afirmações contidas em seu livro, porém, agora, à luz de todo o conhecimento de que dispomos no presente momento. E vejamos se chegaremos às mesmas conclusões do nosso ilustre pesquisador! Se sim, ótimo! Se não, ótimo, também! Não estamos numa disputa, afinal! Estamos, quero crer, num caminho conjunto e solidário pela busca do conhecimento maior. E esta busca, sabemos, é infinita!

Obviamente o Sr. Flammarion era o Sr. Flammarion, um notório cientista que com a força de sua merecida reputação se fazia ouvir sem muito esforço. Quanto a mim, bem… eu sou apenas uma formiguinha atrevida que não se deixa intimidar pelo tamanho da pegada do gigante que ousa enfrentar.

Quanta cara-de-pau, né ?!

Também acho!

Mas, de novo, não pretendo aqui questionar a doutrina espírita, que eu tanto respeito. Se o espiritismo se baseia em três pilares, a saber: ciência, filosofia e religião, e a ciência não é estanque, não vejo porquê o espiritismo o deva ser!

E, alerto! Como mais adiante poderemos perceber, o próprio Flammarion, assim como William Crookes, talvez para salvarem suas próprias biografias, no fim de sua vidas se viram forçados a reverem algumas de suas posições anteriormente tão bem defendidas!

Isso só para você entender, caro leitor, cara leitora, que não há problema algum em reconsiderarmos e eventualmente até mudarmos de opinião, ou, ainda, revisitarmos certos conceitos nos quais nós tanto acreditamos, ou aos quais nós tão firmemente nos apegamos. Ao contrário! É até bastante salutar!

Aliás, um conselho bem oportuno para o momento!

Tomemos cuidado com nossos apegos excessivos, sejam eles lá de que natureza forem: convicções estabelecidas, ideias fixas, bens materiais, relações tóxicas, ideologias diversas, pensamentos destrutivos, fama, vaidade, orgulho, mágoa, etc. Eles nos aprisionam e nos cegam para outras possíveis compreensões da realidade que nos cerca!

Dada a complexidade das questões a serem abordadas, e algumas documentações a serem apresentadas, os textos serão publicados aos poucos.

Confesso que eu gostaria muito, caro leitor, cara leitora, de poder contar com a sua atenta e agradável companhia nesta que poderá ser uma grande aventura, um mergulho profundo num tema verdadeiramente desafiador, para alguns, nebuloso, para outros, mas absolutamente extraordinário para muitos!

E sinta-se à vontade para interagir comigo e debater sobre o assunto! Vou adorar!

Aos que tão gentilmente enviaram seus comentários a este post, que se encontram disponíveis para leitura logo abaixo, no fim deste texto, a minha mais sincera gratidão!

A evolução do pensamento sempre se dá melhor de forma coletiva!

E que Deus nos ajude, nesta ousada tarefa!

Seja muito bem vindo!

Seja muito bem vinda!

E até a próxima!

……………………………………..

Quem sou eu?

Ah, sim!

Eu sou a Kenya!

mulher,

física,

esposa,

mãe,

amiga,

cara-de-pau,

muito cara-de-pau,

quase espírita e…

sonhadora!

Prazer!

____________________________    FIM    ________________________________

15 respostas para ‘PARTE I: Será mesmo só uma questão de fé?

      1. Observações críticas e sérias são de suma importância! Estamos juntos nessa jornada.

        “O Espiritismo não pode considerar crítico sério senão aquele que tudo tenha visto, estudado e aprofundado com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto o adepto mais esclarecido; que haja, por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor fato algum que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para os fatos averiguados, causa mais lógica do que a que lhe aponta o Espiritismo. Tal crítico ainda está por aparecer.”

        Allan Kardec, Le Livre des Médiuns, § 14, n. 8.

        KARDEC, A. Le Livre des Médiums. Paris, Dervy-Livres, 1972. (O Livro dos Médiuns. Trad. Guillon Ribeiro, 46a ed., Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, s.d.)

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  1. As suas preocupações são pertinentes, particularmente quando o horizonte de nossa existência vai além da condição de seres humanos que procuram viver em sociedade. No entanto, minha querida amiga, você entra em um universo que transcende as condições de semelhança que nos unem mais intimamente. Seja fisicamente ou intelectualmente, nós somos muito mais próximos do que quando se entra na esfera de um outro tipo de saber, que vai além do puramente racional.

    A única forma de conhecimento intercambiável entre nós é a matemática. O teorema de Pitágoras tem mais de 2000 anos e é o teorema de Pitágoras e sempre será. A linguagem matemática é perfeitamente intercambiável entre nós. E é a única incluindo aí a lógica. O chamado conhecimento científico é parcialmente intercomunicável e o poético tipicamente velado. Quando se fala de religião entramos num setor que é tão íntimo que muito dificilmente pode ser transmitido com a riqueza que se pretende. Assim devemos nos prevenir dessa característica de transcendência quando se conversa sobre temas religiosos ou se mete Deus na conversa.

    A minha impressão sobre o discurso espírita é que pretende, tanto quanto possível, racionalizar a questão religiosa. Essa expectativa é, no entanto, impossível. Religião requer o vetor de mistério que pode ir sendo desvendado ao longo do tempo, mas nunca esgotado. Portanto quero que você entenda que nos meus comentários estarei me posicionando sempre dentro dessa perspectiva. Na grande maioria dos casos que puder comentar estará sempre, “segundo entendo”. E é nesse sentido que o cristianismo católico se posiciona ainda que não explicitamente quando declara os dogmas. Tema complexo, não é verdade, principalmente na comunidade cientifica.

    Então minha cara para começar, e já declarando que não estou muito informado sobre as bases mais sólidas do espiritismo, deixo a afirmação abaixo para sua reflexão:

    Nós humanos fomos criados como um ser dual, que encontra indícios muito convincentes na nossa biologia e filosofia. Mas fomos elevados de categoria para um ser trino, e aí entra a experiência de cada um de nós que é confirmada ou declarada na Torá. Segundo entendo sem essa trindade em nós, fica difícil analisar-nos dentro dos contextos religiosos tradicionais no ocidente. Um, digamos, sinal dessa condição que está presente mas praticamente ignorada na cultura judaica-cristã é a estrela de David, dois triângulos um apontando para cima e outro para baixo. Simbólico para as duas vertentes a judaica por ser David um personagem fundamental para a preservação do povo judeu e a cristiã quando afirma que Jesus de Nazaré é descendente de David. Outro sinal, este na tradição cristã, está no livro do Apocalipse, quando o autor, João, classifica o número 666 como o número da besta. De fato pode ser lido de duas maneiras: a de Deus 2 vezes 333, as duas trindades, Deus e nós; ou 3 vezes 222 (Deus e o maligno), (Deus e nós) e (maligno e nós).

    São símbolos que são interessantes e que a meu ver vão sendo desvendados no tempo oportuno. Agora uma outra questão que tem a ver com fenômenos não explicáveis a partir do conhecimento nossa disposição em um determinado tempo e lugar mas que vão se desvendando à medida que o nosso conhecimento avança. Para sua reflexão:

    1. Tempo não existe dentro da atual capacidade de apreensão da grande maioria de nós. Passado já passou, futuro ainda não chegou e o presente morre logo após nascer. No entanto, temos a notável perceção desse conceito.

    2. Vivemos em um universo com 4 dimensões, três espaciais e uma temporal, mas com a intuição de 3 temporais.

    3. Proponho que se considere um universo, inacessível atualmente para quase a totalidade de nós, com 12 dimensões 3 temporais e 3×3 (9) espaciais. Significa que em um mesmo espaço pode coexistir a presença de um universo paralelo sem que nos demos conta.

    Pois é, complicado, né? Pura imaginação? Daria um bom filme de ficção.

    Bem caríssima essas são algumas das ideias que compartilho com voce. Não prometo que sempre serei rápido nas respostas, particularmente nesse momento em que passo por algumas dificuldades de saúde na família.

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    1. Meu querido Luiz !!!

      Li seus lindos, sempre muito lúcidos e pertinentes comentários com muita alegria, no coração, por dois motivos:

      Primeiro: pela grande admiração e respeito que tenho pelo ser humano maravilhoso que você é, além de brilhante cientista também, o que faz de mim uma pessoa abençoada por tê-lo como amigo!

      Segundo: por todo cuidado que você teve ao tecer suas considerações sobre um tema, vamos combinar, nada óbvio, e que suscita debates, reflexões e infinitas buscas, solitárias, ou não, de algum entendimento maior sobre nossas existências, e respectivos propósitos, aqui, na Terra!

      Minha resposta:

      Sua compreensão sobre o fato de que o espiritismo tentar racionalizar, tanto quanto possível, a questão religiosa, é a minha, também! Tanto que as três bases, sobre as quais a doutrina espírita repousa são: ciência, filosofia e religião. Agora, se esta tarefa é realmente impossível, como você acredita, sobre isto eu confesso que já não tenho tanta certeza, assim! Mas entendo que é algo extremamente difícil, pois o limiar entre o saber racional e a religião realmente é algo muito tênue, razão pela qual inicio uma discussão aqui, no meu blog, sobre um livro escrito por Camille Flammarion, importante cientista do século XIX que justamente tentou tratar alguns fenômenos espíritas, ocorridos em sua época, sob o escrutínio da ciência. Considero boa, a intenção do cientista, mas ambiciosa, a tarefa, pois na minha opinião houve alguns deslizes que justamente pretendo tratar ao longo das minhas próximas publicações. E sinceramente espero poder contar com sua oportuna e sempre competente análise do que for escrito por aqui. Confesso, mesmo, que estou motivada com esta possibilidade !

      Achei interessante você ter mencionado Pitágoras de Samos, grande filósofo, poeta e matemático grego, que viveu algo em torno de 500 anos aC ! Como sua biografia foi escrita séculos após sua morte, não se sabe, se tudo o que é dito a respeito dele realmente é verdade, mas destaco algumas curiosidades:

      – Para Pitágoras, número era sinônimo de harmonia. E é atribuída à ele, a seguinte frase:
      “A matemática é o alfabeto com o qual Deus criou o universo!”

      – Metempsicose: uma suposta doutrina da escola pitagórica, descrita por Aristóteles, que estabelece a crença de que todas as almas são imortais, sendo transferidas, de um corpo para outro, após a morte terrena. Para Pitágoras, a vida corpórea era um meio de se adquirir conhecimento para atingir estágios maiores de desenvolvimento. O símbolo da escola pitagórica era uma estrela de 5 pontas, chamada de Pentagrama.
      Veja você, caro Luiz, nosso ilustre amigo acreditava em reencarnação!

      Quanto a teoria dos universos paralelos, que considero bastante elegante e na qual já pensei, e ainda penso, por diversas vezes, confesso que eu não a abordarei aqui, no presente tema do blog, pois minhas pretensões são bem menos ambiciosas… Acredite, tratar dos experimentos do Sr. Flammarion, com toda a polêmica envolvida no século XIX, e ainda tentando manter a devida clareza e senso de justiça em relação a tudo o que ele afirma em seu livro, já me será de suficiente trabalho!

      Quanto às questões pessoais que mencionou, saiba que estou em oração constante por você e todos a quem ama.

      Até a próxima, meu caríssimo amigo!
      P.S. Obrigada por existir em meu universo!

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      1. Prezados leitores do blog,

        Gostaria de deixar um comentário aqui, pois os apontamentos acima são uma boa introdução para o meu ponto de vista pessoal.

        Eu acho muito oportuno levantar a pergunta sobre a capacidade de reprodução dos experimentos espíritas. Na minha opinião, o que garante um peso bastante grande aos argumentos científicos sobre como a natureza funciona se deve ao fato de que eles serem postos ao escrutínio público: São milhares de pessoas ao redor do mundo pensando sobre o mesmo assunto, tentando confirmar ou negar certas hipóteses. Consequentemente, se limitarmos a possibilidade de verificar o mesmo experimento em outro momento ou local, o argumento proposto perde consideravelmente em força. Afinal de contas, a verdade é – por definição – única. Não há como ela ser outra em (como disse antes) momentos ou locais diferentes. Neste caso, ainda não se descobriu tudo o que havia de ser dito sobre o tema estudado.

        Me parece improvável que tantas pessoas tenham vivido experiências espirituais, como há relatos, sem que se tenha sido possível colocar essas experiências à prova dos conhecimentos científicos atuais. Sinto que há tanto a falta de um “framework” para verificar esses fenômenos (quais fenômenos analisar? como verificar? etc.), quanto a falta do desejo de fazê-lo: Por aqueles que acreditam, por medo do escrutínio e de serem provados errados; Pelos cientistas, por ser um assunto espinhoso e, infelizmente, muitas vezes mal-visto dentro da academia. Os dois lados se afastam cada vez mais em um ciclo vicioso que mantem a “misteriosa” religião como um espaço para a imaginação e conforto pessoal de cada um, ao invés de ser estudada genuinamente.

        Eu espero que, apesar de alguns pontos mais ácidos que elaborei, o leitor deste comentário não se sinta ofendido. Atualmente, é assim que me sinto em relação ao assunto e ficaria muito feliz em receber feedback sobre o que outros leitores pensam sobre o que escrevi acima.

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      2. Em primeiro lugar, muito obrigada por dedicar seu tempo para escrever suas considerações em relação ao meu texto, Lucas, meu querido filho!

        Eu concordo com você em alguns pontos. Em outros pontos… não.
        Vamos lá:

        Sim, concordo com você, quando diz que a verdade é única. E, segundo os antigos filósofos gregos, ela é inatingível, daí a nossa eterna busca pela verdade.
        Mas se a verdade é, como eu e você acreditamos, única, ela deve então valer tanto para você, aí, na Alemanha, quanto para mim, aqui, no Brasil, seja em pleno século XXI, ou, como também deveria ter sido, no século XIX, quando foram, então, realizadas as experimentações do Sr. Flammarion, tema que abordarei nos próximos textos. Ela, a verdade, não pode depender das variáveis, tempo e espaço, para se fazer valer.

        Sim, concordo com você, quando diz que falta “framework” para se estudarem os fenômenos espíritas, ainda tão obscuros para muitos de nós. Difícil abordá-los de modo racional, eficiente e consensual. Afinal de contas, não sabemos muito bem, com o quê estamos lidando. Mas há que se fazer uma distinção entre fenômenos espíritas e fenômenos da natureza, pois não está claro, nem na comunidade espírita, que haja uma correlação exata entre eles. Se houvesse uma correlação mais precisa entre ambos, talvez não nos depararíamos com tantas especulações sobre o assunto! Nós nem mesmo sabemos, se os supostos fenômenos espíritas/sobrenaturais abordados por Flammarion são regidos pelas mesmas Leis da Física, tais como as conhecemos, e que utilizamos para descrever os fenômenos da natureza!
        Veja, Lucas, eu não estou afirmando que fenômenos espíritas não existem! Não ser capaz de detectar um fenômeno, seja ele qual for, por falta de conhecimento/tecnologia, não significa que o fenômeno não exista. Na minha abordagem, aqui, e nas próximas publicações que farei, procuro discutir apenas o modo como o tema foi tratado no livro que cito nestas minhas considerações iniciais, que, no meu entender, foram falhas! E o ponto talvez mais importante que eu queira ressaltar aqui, e nos próximos textos, é que não devemos aceitar informações tidas como verdadeiras baseadas apenas na personalidade que está por trás de cada declaração, não importa o quão ilustre ela seja. Ninguém é dono da verdade, afinal…

        Sim, concordo com você, quando diz que ainda não se descobriu tudo sobre o que havia de ser dito sobre o tema estudado, motivo pelo qual estamos debatendo o tema precisamente neste momento…
        Mas discordo, quando você afirma que o que garante um peso bastante grande aos argumentos científicos sobre como a natureza funciona se deve ao fato de eles serem postos ao escrutínio público. No meu entender, o que garante um peso bastante grande aos argumentos científicos sobre como a natureza funciona é precisamente a qualidade da metodologia científica empregada e a perícia de quem a utiliza no estudo desta natureza, independentemente da opinião pública geral. Não é porque milhares e milhares de pessoas, ao redor do mundo, atestam um fato, que ele é necessariamente verdadeiro!
        Cito um exemplo: Durante séculos e séculos, milhares e milhares de pessoas, que viam o Sol nascer e se pôr em volta de si, acreditavam que a Terra era o centro do universo. Hoje sabemos que não se trata disso. Mas, naquela época, ai de quem dissesse que não! Algumas pessoas, que faziam parte de uma minoria mais esclarecida, foram literalmente queimadas vivas na fogueira por se oporem à teoria geocêntrica reinante naquele período e que, hoje, sabemos ser totalmente equivocada!
        Cito outro exemplo, mais atual: supercondutores à temperatura ambiente. O tema gerou polêmica pela falta de reprodutibilidade na obtenção dos dados. E é assim que o conhecimento avança, com questionamentos!
        E está tudo bem!
        Pensar que o escrutínio público é salvo-conduto para se atestar a veracidade do que quer que seja é algo bem perigoso, principalmente num mundo onde reinam as “fakenews” e através das quais milhares e milhares de pessoas tem suas opiniões a respeito de determinados assuntos facilmente manipuladas e/ou induzidas.

        Concordo quando você diz que o tema é espinhoso. E é mesmo!
        Mas discordo, quando você diz que o assunto é reprovado por cientistas por ser mal visto na academia.
        Fato: não existe consenso na comunidade científica sobre o tema, o que é até bastante salutar, e realmente há muitos cientistas que simplesmente não acreditam no que se discute aqui, mas por outro lado também existem muitos cientistas sérios, sim, que abordam este assunto com o devido respeito que a circunstância pede! Afinal de contas, não estamos todos aqui, tentando levantar o véu da dúvida sobre um tema tão caro para muitos?

        E… não se preocupe!
        Discordar de quem quer que seja, inclusive de mim, sua mãe (em casa a gente conversa, viu?! Rsrsrsrsr … ), da maneira educada como você fez, jamais ofenderia alguém, neste blog! Eu falo em meu nome e em nome da maioria dos meus leitores, queridos amigos meus, que conheço muito bem e que me abençoam, vez por outra, com suas delicadas visitas ao meu blog, orbitando neste espaço de debates cada vez mais gostoso e que ficou melhor ainda, com a sua chegada!
        Seja muito bem vindo você também, filho!
        Bis Bald !

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      3. Ano difícil, peço desculpas pelo silêncio, ai vai um ensaio sobre o tempo
        grande abraço

        Mais um ano que escorrega para o passado. Outro que desabrocha para o futuro e nós plantados em um presente que escorre, passa, nunca tem tempo. Isso aí, sem tempo, pois o tempo é um conceito misterioso, só acessível aos deuses. Para nós mortais uma palavra, uma fantasia de coisa que não existe. Imagina, somos de fato genais, a raça humana. Conseguimos dar nome a uma coisa que não existe. De fato, pense de novo, conseguimos atribuir um nome, dar nome a uma coisa que não existe. Não se trata de um conceito abstrato. Saudade é abstrato, mas existe. Também amor e ódio, belo e feio, sublime e rasteiro, e tantos outros. Mas tempo, cronos, temps, time, Zeit, время, 時間,etc não existe. É como andar sobre uma esteira rolante que se desloca com a mesma velocidade do que nós, mas em sentido contrário. Andamos sem sair do lugar. Isso é o tempo.
        Quando somos jovens queremos que a esteira deslize depressa, na velhice preferimos que a esteira avance muito devagar, quem sabe até retroceder.
        Mas, na realidade, passar o tempo é como andar sem sair do lugar. A esteira do tempo passa nós ficamos. É o movimento obrigatório para ficarmos parados. Podemos andar mais depressa ou mais devagar, podemos tentar sincronizar o nosso movimento com o movimento de outras pessoas ou mesmo com o desenrolar dos fatos que escolhemos como referência. Assim podemos ficar na companhia de nossos amigos e amigas, podemos agir sobre fatos e tentar interferir na dinâmica social. Quando temos a sensação de estarmos em movimento na realidade estamos interferindo na velocidade da nossa esteira, mas continuamos parados. Quem sabe um dia conseguiremos sincronizar nossas esteiras do tempo e andarmos de mãos dadas. Enquanto isso faz-se o que se pode …..
        FELIZ NATAL E UMA ÓTIMA ESTEIRA PARA 2024

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      4. Luiz Bevilacqua, meu querido amigo! Que lindo presente do universo é você! Obrigada por me honrar, mais uma vez, com a sua doce presença!
        Quem mais poderia discorrer sobre tema tão singular, quanto misterioso e com tanta beleza e propriedade, além de você! Não é mesmo?

        Se hei-de ficar parada na esteira do tempo, então que seja de mãos dadas com você, pois estarei bem acompanhada e por certo não o sentirei passar!

        2023 foi um ano difícil para mim também, meu amigo, mas não reclamo. Vivo, sobrevivo e no caminho da vida vou colecionando alguns lindos momentos (desfrutar da sua amizade é um deles) que me fazem acreditar que, sim, vale à pena viver.

        Desejo que tenha tido um ótimo Natal e que todos nós tenhamos uma ÓTIMA ESTEIRA PARA 2024!

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      5. Querida Kenya Fico feliz por voce ter gostado, quer dizer que valeu a pena. Foi sim um ano muito difícil. Mas dias melhores virão. Na verdade, os anos começam a me pesar. Mas é nossa condição natural Tenho voce em grande, muito grande consideração. Vamos sim andar de mão dadas nas nossas esteiras e que elas nos sejam propícias em 2024

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  2. Querida Kenya,

    Gostei muito de ler teu texto e dos comentários do Bevilaqua, amigo que admiro muito. Estou inclusive passando o link para minha neta Laura, copiada nesta resposta, que interessou-se por tua mensagem.

    Naturalmente o assunto é bastante complexo e, como o Bevilaqua menciona, a zona entre ciência e religião envolve alternar métodos e isto nos deixa muito inseguros.

    A questão básica é a aplicação do método científico stricto sensu em questões nas quais não é factivel testar a falseabilidade como se pode fazer em um modêlo teórico clássico, como a teoria da relatividade, por exemplo.

    Essa dificuldade ocorre até fora do questionamento das bases científicas de religiões. Por exemplo, a própria psicanálise não pode ser enquadrada dentro de uma metodologia científica rígida. Mesmo a cosmologia, embora baseada na relatividade geral, escapa um pouco da formulação científica tradicional.

    Eu também interesso-me muito pela questão da relação ciência – religião, desde a adolescência, e concordo inteiramente contigo de que a fé não impede questionamentos racionais.

    Pena que não tenho o tempo que desejaria para tratar desses assuntos. Mas vou continuar a ler teus comentários.

    Um abraço fraterno,

    Galvão

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    1. Meu querido Professor Galvão!

      Sempre me senti muito privilegiada pela oportunidade de ter sido sua aluna, nos cursos de pós graduação, do Instituto de Física da USP, onde obtive meu doutorado, em Física de Plasma. Hoje, mais do que nunca, sinto também muito orgulho por tê-lo conhecido, principalmente pelos fatos relativamente recentes que marcaram história, no Brasil.

      Agradeço pela sua delicada e sempre muito bem vinda visita!

      Sim, a questão ciência-religião é bastante complexa e meu desafio maior, creio eu, é o de tentar me manter tão imparcial, quanto possível, no trato de um assunto tão caro para a maioria das pessoas! E que Deus me ajude, pois eu não quero, ainda que inadvertidamente, cometer nenhuma injustiça no decorrer das análises que proporei aqui ! Neste sentido, sinta-se à vontade para me chamar a atenção, claro, quando possível, pois sei que é muito ocupado, caso perceba que eu esteja incorrendo em erro. Sua lucidez é muito bem vinda, aqui.

      Em suas palavras: “… A questão básica é a aplicação do método científico stricto sensu em questões nas quais não é factível testar a falseabilidade como se pode fazer em um modêlo teórico clássico, como a teoria da relatividade, por exemplo…”, você tocou precisamente no ponto sobre o qual eu me debruço!

      Como escrevi anteriormente, sua lucidez é muito bem vinda, aqui. Pode acreditar!

      Grande abraço, Prof. Galvão !
      P.S. Obrigada por existir em meu Universo!

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About Kenya, uma simples amiga!

Mulher, cientista, quase espírita e sonhadora, muito sonhadora...