Uma alma que se eleva, eleva o mundo!

– Por que está tão calada, hoje? O que a preocupa?

– Você me pergunta como se já não soubesse o que se passa na minha mente… e é justamente esta uma das questões que mais me incomoda, sabia? Onde está a minha privacidade, afinal? Além do mais, essas nossas conversas fazem com que eu me sinta meio maluca, pois ninguém mais consegue vê-lo, ou ouvi-lo, além de mim! Neste exato momento, por exemplo, se alguém subitamente entrasse aqui e me pegasse falando sozinha, pois seria precisamente isto o que pareceria para quem quer que desse comigo, agora, no meu escritório, eu diria o quê? Que estou ensaiando para a apresentação de alguma aula, ou para uma palestra qualquer? Não seria nada agradável para mim! E somente eu passaria por tamanho constrangimento, já que para você nada mudaria. Ninguém o vê, mesmo…

– E desde quando você se importa com a opinião dos outros? Até onde eu sei e pelo o que já presenciei ao seu lado, você não costuma ocupar seu tempo preocupando-se com o que as outras pessoas pensam, ou dizem a seu respeito…

– Mas era só o que me faltava! Como se já não bastasse você ficar sondando a minha mente, à minha revelia, você ainda fica por aí, vigiando a minha vida, também?! Que tipo de espírito bisbilhoteiro é você, afinal? Pode ir parando, viu? E, para seu governo, ando me preocupando um pouco com a opinião dos outros a meu respeito, sim. Você está desatualizado! Não quero acabar internada como louca, numa clínica psiquiátrica qualquer…

– Você não se enquadra nos estados transitórios, ou permanentes de loucura comumente definidos pelos padrões terrenos, a ponto de ser internada. No máximo você pode ser considerada, como de fato o é, por alguns de seus pares, como uma pessoa talvez um pouco exótica, ou extravagante, ou até carente. E é tudo! Não gaste o seu tempo à toa, temendo o improvável. E, respondendo à sua pergunta, eu não a vigio. Apenas procuro estar ao seu lado, quando me pede ajuda, algo que você faz com frequência…

– Entendi a indireta, viu? Mudemos de assunto, por favor!

Antes, porém, daria para você me dizer quais pessoas são essas que me tomam por exótica, extravagante, ou, imagine você, carente?! Só para eu anotar aqui, no meu caderninho de ranços…

– Você me pede por algo que sabe que não farei. Vim até você na intenção de assistí-la na tarefa que lhe foi atribuída, mas adianto que não dispomos de muito tempo para trabalharmos de forma conjunta, portanto, não o desperdice com sentimentos, ou atitudes que em nada contribuem para a sua evolução pessoal.

– Mal chegou e já está com pressa, como sempre! Como eu sei que não adianta nada discutir com você, mesmo, vamos lá, então! Recebi a incumbência de trabalhar no seguinte tema: Uma Alma que se eleva, eleva o Mundo. Mas confesso que eu não tenho a menor ideia de como desenvolvê-lo!

– Senti sua dificuldade, por esta razão estou aqui.

– Agradeço muito, mas, aqui pensando… você nunca me apareceu para ajudar-me nas minhas provas de cálculo, ou de mecânica quântica, nos meus tempos de faculdade! E olhe que não foi por falta de pedir ajuda… Ralei sozinha!

– Reclamações atrasadas lançando caso novo! Auxilio você somente quando realmente é preciso! Não é de bom proveito para seu aprimoramento espiritual colocar-me sempre à sua disposição em momentos de insegurança, ou quando estiver diante de algum problema qualquer! Apesar de todas as dificuldades pelas quais passou na obtenção do bacharelado, mestrado e doutorado, no seu estudo das ciências naturais, você alcançou seus objetivos de forma autônoma e satisfatória. E esta autonomia que você adquiriu ao, utilizando suas próprias palavras, ralar sozinha, constitui-se, agora, em valioso instrumento que lhe confere a necessária confiança para aceitar, sem maiores receios, quaisquer outros desafios que a vida lhe propuser! E é assim, que deve ser! Quanto à tarefa de hoje, o tema é sensível para alguns de seus leitores e pede trabalho em conjunto, motivo pelo qual encontro-me aqui. Então eu lhe pergunto: você deseja minha colaboração para prosseguir nesta sua incumbência, ou não?

– Claro que sim! Que pergunta! Eu realmente empaquei no tema proposto, apesar de considerá-lo até bastante inspirador!

– Sim, trata-se de um pensamento realmente muito inspirador da nossa querida Elizabeth Leseur, uma escritora com sólida formação cristã, nascida em Paris, na França, no ano de 1866.

– Ela nasceu três anos antes de Allan Kardec morrer, né?

– Sim, mas ela não era espírita. Sua formação foi basicamente católica, aprofundando-se, com dedicação e alma, no estudo do Evangelho de São Tomás de Aquino. Ela era uma mulher tão culta, quanto caridosa. E procurou de todos os modos converter o marido, que era ateu, para a fé cristã. Ela rezava fervorosamente pela sua conversão! Chorava em silêncio, ao ver o marido tão descrente de tudo. Morreu sem alcançar seu intento.

– Que perda de tempo! Capaz, mesmo, que eu ficaria rezando e chorando o tempo todo para tentar fazer o cidadão se converter para o que quer que fosse. Eu, no lugar dela, muito provavelmente iria tratar de cuidar da minha vida. E só!

– Nunca é perda de tempo, quando se procura praticar o bem! E, de fato, não o foi. Além disso, Elizabeth Leseu era uma pessoa extremamente altruísta. Suas lágrimas sinceras não se davam apenas pelo fato de ela não conseguir lograr êxito na obstinada tarefa de procurar converter seu marido para a fé cristã, mas, sim, também, por entender que viver uma vida sem Deus, no coração, é viver uma vida vazia, uma vida desprovida de propósitos mais elevados! Uma vida sem amor, enfim. Ela temia pelo destino do marido, por quem realmente sentia grande carinho…

– Você disse que não foi uma perda de tempo. O que aconteceu? O dito cujo se converteu, afinal?

– Sim! Para a alegria de todos nós, no plano espiritual, ele finalmente se converteu. Elizabeth Leseur era uma mulher extremamente culta, amante das artes e da filosofia, e uma esposa extremamente dedicada, pois sempre acompanhava o marido em muitos eventos da alta sociedade dos quais ele tanto gostava e fazia questão de frequentar, mesmo naqueles em que Deus estava ausente. Ela mantinha um Diário Espiritual, ao qual seu marido teve acesso, após sua morte. E a leitura deste diário foi o que bastou para converter o marido, antes ateu convicto, para a fé cristã. E sua conversão foi tão profunda que ele não só se converteu como também abandonou a alta sociedade, que tanto gostava de frequentar, bem como o pensamento materialista que norteara toda a sua vida pregressa, para se tornar um frade dominicano, atendendo pelo nome de Frei Feélix Leseur.

– História comovente, essa!

– Sim! Muito comovente e elucidativa.

– Elucidativa?

– Sim! Podemos aprender algumas lições desta linda história! A principal é que devemos manter a nossa fé nos propósitos do bem, ainda que as condições para alcançá-los nos pareçam adversas. O tempo de Deus é outro que não o nosso, portanto devemos ter paciência e perseverar nas boas condutas e nos bons pensamentos, aguardando sempre que o melhor se suceda no seu tempo devido. Uma outra questão relevante aqui, é que, independente da religião praticada, o mais importante foi o resgate do marido de Elizabeth Leseur aos olhos de Deus! Ele se libertou do materialismo terreno, ainda em vida, pelo amor e pela fé da esposa católica, o que foi motivo de grande júbilo para todos nós, no plano espiritual! Independentemente de como a transformação interior se manifeste, sempre é tempo de despertar para o amor de Deus! Sempre!

– E qual seria o significado desta frase para você?!

– No contexto de vida pessoal da nossa querida Elizabeth Leseur, poder-se-ía dizer que, ao se elevar a Deus, pela sua fé, pela prática do bem e por seu amor sincero ao marido, ela conseguiu elevá-lo também! Num contexto mais abrangente, por estarmos todos conectados uns aos outros por razões e mecanismos no momento ainda insondáveis, ou mesmo incompreensíveis para muitos de nós, do mesmo modo também podemos entender que uma alma que se eleva, eleva o mundo! Ou seja, cada pessoa que se eleva a Deus na prática do amor e do bem, pela conexão que possui com os demais, e de um modo geral, acaba influenciando na elevação de todos os outros, também!

– Acho que entendo… se estamos todos realmente conectados, como você diz, também podemos pensar que, ao fazermos o bem para alguém, também estaremos nos beneficiando de algum modo. E, se prejudicamos alguma pessoa, igualmente, cedo ou tarde, também estaremos nos ferindo de alguma forma, ainda que sem o sabermos… Encontramo-nos todos no mesmo barco, afinal. É isso, mesmo?!

– Precisamente! Nossas atitudes, boas ou más, atuam nos outros e de alguma maneira acabam se refletindo em nós mesmos, ainda que não tenhamos plena consciência de todos os processos através dos quais tudo se dê. Assim, quando fazemos o bem, todo o mundo se beneficia desta nossa ação, inclusive nós mesmos! Infelizmente o mesmo ocorre, em maior, ou menor grau, quando alguém pratica o mal…

– Mas isto não chega a ser meio assustador?

– Nem um pouco! É apenas um incentivo eficaz para que pratiquemos, todos, o amor e a caridade!

– E por falar em caridade, obrigada por sua valiosa ajuda e pelos ensinamentos tão proveitosos, de hoje! Você é muito gentil, quando quer…

– Estarei aqui, nem sempre que você desejar, mas quando realmente for necessário…

– Já começou, de novo! Mas vamos deixar esta nossa discussão para algum outro momento, tá?

– Como queira!

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Continua em alguma outra publicação…

____________________________    FIM    ________________________________

2 respostas para ‘Uma alma que se eleva, eleva o mundo!

  1. Somos mais complexos do que imaginamos e imersos em um universo igualmente complexo. Com doze dimensões, podemos em principio viajar no tempo de um modo parecido como fazemos no nosso espaço imerso no “presente”. Imagine que tenha acesso à dimensão temporal do passado. No mesmo lugar em que você estiver, isto é fixando o espaço, o tempo passará à sua volta os objetos se moverão desaparecerão e surgirão e você poderá estar imerso naquele mesmo lugar mas em um tempo muito anterior. Se você estiver em Salzburg viajando no tempo você poderá parar em 1770 e verá o jovem Mozart elaborando suas composições. Você poderá ter acesso ao passado e também ao futuro. Assim pode-se explicar a sensação que tantas pessoas experimentam de já ter estado naquele lugar muito tempo atrás. As previsões de futuro podem eventualmente também ser explicadas pela capacidade de viajar no tempo.
    Se esse universo complexo for trazido para a nossa vida estaremos diante de desafios extraordinários, onde caberia até modificar o presente viajando para o passado e alterando as antigas opções. Isto significa que termos como “arrependimento” podem ter sentido eficaz. Ideias como ressuscitar podem não apontar para uma volta à vida, mas para significar que a morte não tenha acontecido. Se este universo de 12 dimensões for “real” significa que de fato Deus nos preparou um complexo espaço-tempo muito mais rico do que jamais poderemos imaginar.
    Assim em principio você poderia voltar a alguns minutos antes do evento que lhe provocou o pinçamento e evita-lo. Mas nem sempre conseguimos, rarissimamente alguém consegue e então temos que nos adaptar à nossa prisão temporária no nosso pedaço do universo total.
    Mas o extraordinário é que embora tudo isso seja acessível a toda criatura nós somo ainda mais pois somos três em um. Fomos criados como dois em um. Mas o “Eu Sou” nos acrescentou a capacidade de sermos semelhantes Ele e ficamos três em um. Somos uma trindade.
    Rezo por você, não desperdice a sua dor.

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About Kenya, uma simples amiga!

Mulher, cientista, quase espírita e sonhadora, muito sonhadora...