Cuidado com seus desejos…

Alguns leitores me perguntaram se o que narrei, aqui, neste post de hoje, de fato aconteceu comigo.

E a resposta é sim, meus caros amigos, realmente aconteceu comigo, por mais incrível que possa parecer!

E tomara possa essa minha experiência, tão peculiar, ser também de algum proveito para mais alguém, além de mim…

Desejo a todos uma boa leitura!


Cuidado com os seus desejos…

Eu já li e escutei essa frase tantas e tantas vezes, em tantos e tantos lugares e em contextos tão diferentes…

Mas confesso que eu nunca tinha parado muito tempo para pensar no seu real significado, até passar por uma situação no mínimo inusitada, como a que vou confidenciar, aqui, com você!

Mas que fique cá, entre nós, tá bom? Pois não é algo do qual eu me orgulho! Com certeza, não…

Pois bem, já faz bastante tempo, sabe?

Eu estava fazendo a minha pós-graduação no IFUSP (Instituto de Física da Universidade de São Paulo), no caso, o mestrado em física de plasmas, quando passei por um grande aborrecimento naquela instituição!

Acontece que fazer pós-graduação em física, numa área experimental e a depender do assunto escolhido, onde o fomento à pesquisa, leia-se: verba, torna-se imprescindível, é realmente um verdadeiro desafio neste nosso país! E isto, claro, sem levar em consideração questões políticas e/ou interesses diversos de departamentos concorrentes!

Mas aqui eu faço uma ressalva no sentindo de esclarecer que o IFUSP costuma oferecer a todos, via de regra, um ambiente maravilhoso, tanto para se estudar, quanto para se trabalhar. E que algumas dificuldades, que eu por lá encontrei, certamente também as teria encontrado em qualquer outro lugar em que resolvesse me aperfeiçoar como pesquisadora, posto que lidar com pessoas, num âmbito geral e sem maiores conflitos, requer dentre outros atributos alguma experiência de relacionamento, coisa que, à época, eu decididamente não tinha talvez por ser muito jovem, ou, provavelmente, muito idealista…

Prosseguindo…

Eu estava tão chateada, mas tão chateada, mesmo, com o que vinha ocorrendo comigo que, ao dormir, imersa que estava em um profundo sentimento de tristeza e de desesperança, eu simplesmente desejei não mais acordar!

Orei, como costumo fazer todas as noites. Mas, daquela vez, em lágrimas, implorei a Deus por um alívio imediato a um sofrimento que me parecia já não ser mais possível suportar!

Pedi-lhe, com toda a sinceridade do mundo:

– Meu Deus, bem que o Senhor poderia me levar embora daqui, ainda hoje, de uma vez, por todas…

Eu tinha um respeito muito grande pela vida, como ainda tenho, de forma que o suicídio, apesar de todo o desgosto que eu vinha experimentando naquele momento, estava totalmente fora de cogitação, para mim!

Aliás, este é um tema que por diversos motivos me é muito sensível, merecendo ser tratado numa publicação, à parte, como de fato o farei, em breve!

Então, como eu ia dizendo, ao mesmo tempo em que eu tinha um grande respeito pela vida, por outro lado, eu não via muito mais sentido em continuar vivendo naquelas condições, sempre tão triste e tão decepcionada com tudo e com todos! E pensando desta maneira, achei que não seria tão má ideia, assim, pedir uma ajudinha a Deus no sentido de ele acabar com todos os meus problemas de uma vez e de um jeito, veja só você, que me parecia ser o mais simples possível, a considerar a situação na qual eu amarguradamente me encontrava…

Sei lá, não me parecia ser tão errado, assim, desde que fosse Deus quem consentisse e atendesse o meu desejo!

E não é que, de certo modo, Ele me atendeu?!

Após minha triste e tão sincera oração a Deus, caí em sono profundo.

Sonhei que estava no bairro da Vila Formosa, São Paulo, capital, onde passei toda a minha infância. E que delícia, revisitar um lugar com tantas lembranças boas, para mim! Senti meu coração tão aconchegado! Estava feliz, verdadeiramente feliz!

Encontrava-me especificamente na avenida Dr. Eduardo Cotching, ao lado da Escola Municipal Presidente Kennedy, onde cursei o ensino fundamental. Eu caminhava bem distraidamente na calçada que ficava do outro lado da rua da escola, no sentido do centro da cidade. Não trazia nada comigo, somente a roupa do corpo. Era uma manhã de sol e o dia estava particularmente lindo!

Mas eis que, do nada, vi o que parecia ser um anjo, com asas brancas e tudo, descendo lentamente do céu e vindo diretamente na minha direção!

O sol brilhava por trás de suas costas, ofuscando-me os olhos.

Não conseguia ver muito bem o que estava acontecendo, por causa do intenso brilho do sol, no meu rosto. Só sei que, quando me dei por conta, o anjo já estava muito próximo de mim, pairando lentamente e bem na minha cara!

Quase caí para trás, tamanho o susto!

De vestes brancas, olhar firme e sereno, o anjo calmamente me disse as seguintes palavras:

– Você vai morrer daqui a uma hora.

E, do nada, assim como veio, sumiu!

Impossível descrever a alegria que senti, naquele instante! Primeiro, por saber que Deus me havia atendido tão prontamente, o que me fazia sentir muito especial. Segundo, porque em breve, muito breve, mesmo, eu estaria livre de todos aqueles problemas que me estavam tirando a alegria de continuar vivendo!

Eu estava tão feliz, mas tão feliz, mesmo, que quase não sentia mais meus pés tocarem o chão, tamanha a leveza com a qual eu passei a caminhar pela rua. Voltei-me toda serelepe para a direção do centro da cidade, que originalmente estava seguindo antes do anjo aparecer!

Mas foi aí, neste exato instante, ao atinar para onde, eu, afinal de contas, realmente estava indo, que subitamente me lembrei da minha mãe e do meu noivo, duas pessoas que eu tanto amava e das quais eu gostaria muito de me despedir, antes de partir!

Ambos estavam, cada um, em seus respectivos afazeres, como o de costume, mas muito longe, um do outro. Meu noivo, na USP, trabalhando no Centro Tecnológico da Marinha, e minha mãe, em Itaquera, provavelmente cuidando das lindas rosas do seu jardim.

Eu queria me despedir de ambos, mas estava claro que isto seria IMPOSSÍVEL! Não haveria tempo hábil, para tanto! Apenas uma hora era um intervalo de tempo muito curto, para poder estar em dois lugares tão distantes! E isto sem contar o trânsito, que tornaria ambos os percursos ainda muito mais lentos! Eu teria forçosamente que escolher, entre um e outro…

Meu Deus! Não!!!

Eu não trazia nada, comigo. Não tinha dinheiro algum para pegar nem um ônibus, sequer! Lembro-me de, ainda assim, buscar desesperadamente por alguns trocados nos bolsos da calça que eu vestia, porém sem nada encontrar!

Olhava para um lado da rua, parecia ver minha mãe sorrindo para mim, com uma linda rosa na mão. Olhava para o outro lado da rua, em direção oposta, e a imagem do meu noivo me surgia, trabalhando, todo concentrado, num novo equipamento a ser testado em laboratório! Eu olhava, alternadamente, para um lado e para o outro, atordoada, sem conseguir decidir!

Meus Deus, para que lado eu vou ?! Não consigo escolher! Não posso escolher! Não!!!

O tempo passava, inexorável…

Em total desespero, comecei a correr pela rua com os braços abertos e ao alto, olhando para cima e tentando chamar o anjo, de volta, implorando para reconsiderar o meu pedido!

Eu ainda não tinha desistido de morrer, acredite, se quiser! Apenas queria negociar um tempo maior com o anjo para poder me despedir daqueles que eu tanto amava, aqui, na Terra!

O anjo não voltou.

Passados exatos 60 minutos, prazo de vida que me fora dado, meus olhos finalmente se fecharam.

Silêncio profundo…

Sentimentos e sensações confusas tomaram conta de mim.

Medo…

Arrependimento…

Paz…

Dúvida…

Após algum tempo que não sei dizer, lentamente fui voltando a mim, com os latidos insistentes de uma cachorrinha chamada Juli, que parecia estar ciente do que estava acontecendo e querendo a todo custo me chamar, de volta, para a vida!

A cachorrinha era da mãe do meu noivo, em cuja casa eu tinha dormido, naquela noite tão esquisita…

E eu sentia nos ossos que aquele animalzinho esperto tinha sacado tudo, pois me lambia com imensa alegria, para além do habitual, ao me ver ali, ainda viva!

– Mas que vergonha…

Pensei comigo!

– Se mais alguém sabe disso… Ainda bem que cachorro não fala!

E então foi assim que eu acordei, entre latidos e lambidas da Juli! Estava suando em bicas! Lençóis e travesseiro totalmente molhados, tamanho o sufoco que passei naquele sonho tão maluco! Tudo parecia tão real… cheguei ainda a sentir arrepios, ao me lembrar de toda aquela aflição que vivi!

E que alegria poder observar meu noivo dormindo, ao meu lado, em sono tão profundo e inocente…

Silenciosamente pensei comigo:

– Ah, se você soubesse por onde andei…

E voltando meus pensamentos a Deus, disse-lhe baixinho:

-Aprendi a lição, Senhor!

E como!

Obrigada por ignorar um pedido tão absurdo, quanto o meu, fruto puro da minha ignorância e do meu egoísmo que, se atendido, ter-me-ia afastado bestamente daqueles que tanto amo nesta vida, assim como me impedido de cumprir a minha missão aqui, na Terra e que, acredito eu, ainda não terminou!

E aqui uma reflexão muito importante para todos nós, meu caro leitor, minha cara leitora!

Por mais que me esforce, eu já não consigo mais me lembrar, em detalhes, do real motivo que me levou a fazer tão estúpido pedido a Deus! Só me lembro de que foi algo que me abalou muito, no IFUSP, mas não sei mais precisar o que foi, o que me leva a crer que não deve ter sido um motivo tão relevante, assim. Caso contrário, com certeza eu ainda me lembraria dele!

Hoje eu me sinto super bem, mas naquele momento parecia ser, sim, o fim do mundo, para mim! E no entanto, agora, sequer ficou na minha memória a razão pela qual eu tinha pedido a Deus o absurdo de me ajudar a morrer, o que nos mostra o perigo de tomarmos decisões equivocadas em momentos de grande angústia e/ou desespero!

Minha conclusão:

Nós não sabemos realmente o que é melhor, para nós! Podemos, quando muito, ter uma vaga ideia do que seja… Mas Deus sempre sabe!

Assim sendo, em qualquer situação de grande dúvida, ou de aflição, mesmo para aqueles totalmente desprovidos de fé, procuremos manter a serenidade dos nossos pensamentos para que tenhamos condições sensatas de buscarmos as soluções necessárias para aquilo que tanto nos aflige!

Sei que não é fácil! E como sei! Mas é preciso resistir e persistir!

Busquemos auxílio externo, se preciso for! Nessa hora, não nos cabe o orgulho! E não é vergonha pedir ajuda!

E, para aqueles que têm fé, quando orarmos a Deus pedindo por auxílio, que de fato confiemos Nele, acreditando sempre que sua providência divina realmente nos será enviada, no seu devido tempo…

Veja que isto não é o mesmo que acreditar que nossos desejos serão necessária e prontamente atendidos, o que poderia resultar simplesmente numa calamidade sem tamanho, como podemos depreender através desta importante lição que a tão duras penas eu aprendi neste meu sonho tão impressionante!

Algo para pensar sobre…

____________________________    FIM    ________________________________

12 respostas para ‘Cuidado com seus desejos…

  1. Descobri que muitas vezes lembramos do sonho em razão de termos sido acordados na fase do sono REM, ou seja, não de forma natural terminando o ciclo completo do sono. Foi assim no seu caso pelo que pude entender, com a cachorrinha latindo e lambendo, tipo um despertador. Provavelmente você consegue lembrar desse sono, além do contexto e fatores emocionais envolvidos, por ter sido acordada nessa etapa do sono.

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  2. Da hast Du Recht! Man soll mit unseren Wünschen vorsichtig sein, denn sie können in Erfüllung gehen!

    Kennst Du das Sprichwort: ” Hüte Dich vor Deinen Wünschen”?

    Kussi liebe Kenya

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About Kenya, uma simples amiga!

Mulher, cientista, quase espírita e sonhadora, muito sonhadora...