✒️ English version follows the Portuguese text!
O TEMPLO DA ESTAGNAÇÃO
Há um lugar quieto, dentro de nós, onde tudo parece seguro. É morno, previsível e tranquilo. Não há ventos incômodos, tão pouco surpresas desagradáveis…
É o território da mesmice, que eu costumo chamar de Templo da Estagnação, onde os dias caminham como monges em fila, repetindo sempre os mesmos rituais.
A vida sucedendo-se em círculos suaves, como preces entoadas no silêncio…
Ali, o tempo não exige, tão pouco a alma é chamada a crescer.
Algumas pessoas denominam isso de rotina, mas a maioria costuma chamar esse lugar de Zona de Conforto, onde nada nos fere, nada nos exige, mas também nada nos move, nada nos transforma…
Foi o que inesperadamente entendi ao observar um pequeno pássaro, na sacada de um prédio vizinho ao meu, bicando a ração de uma gato já bem velhinho e que parecia não se incomodar em dividir seu alimento com o pequeno intruso.
Todos os dias o passarinho vinha, bicava a ração do generoso gato, descansava uns minutinhos e partia. Voava longe, até parecer um pontinho bem distante lá no céu para, no outro dia, voltar novamente, seguindo sempre a mesma rotina diária.
E foi assim por semanas…
Mas um dia o gato morreu e a comida acabou.
O pássaro pousou, procurou pela ração, esperou e foi embora.
Nunca mais voltou.
Naquele momento, tive uma epifania! Aquilo me atingiu como um “koan zen”: o conforto, quando vira dependência, torna-se prisão! É sutil e quase imperceptível, mas nos aprisiona!
Este exemplo curiosamente também nos mostra que a vida, sempre atenta, vez por outra nos convida a tentarmos voar para outras paragens, ainda que estejamos acostumados com as migalhas certas, no mesmo lugar de sempre.
Quando o espírito percebe que não há mais lições naquele solo, é hora de partir.
E por essa razão, creio eu, é-nos dado o dom de sonhar, de alçar novos voos, de desejarmos sempre mais.
Mas é preciso coragem, iniciativa e determinação para realizarmos os nossos sonhos sem deixarmos que o medo ou a segurança ilusória, oferecida pela inércia, paralise-nos!
Mestre Dogen, um mestre zen-budista nascido no ano 1200, costumava dizer que “praticar o Caminho é esquecer-se do eu.” E, talvez, esquecer-se do “eu” signifique sair daquele lugar onde o ego se acomoda e se convence de que já está tudo certo. Que já está bom, o bastante. Que não é mais preciso buscar…
Para os grandes pensadores do oriente a vida é impermanente. Tudo flui: a água corre, o fogo arde, o vento sopra, o ser se transforma. E, quando o ser não se transforma, adoece.
Do ponto de vista espírita, estamos aqui para evoluir. Cada encarnação é uma chance sagrada de aprendizado, de novas tentativas, de superação… E toda vez em que nos instalamos no repouso interior por medo de errar, por apego à segurança ou por recusa à dor, deixamos de trabalhar na nossa própria evolução.
Já o ego gosta da estagnação. Ele se sente forte, quando nada muda. O ego quer controle, garantias, repetições. É por essa razão que ele ama a zona de conforto: ali, ele não é desafiado a se desfazer…
É claro que o silêncio tem o seu valor. Que o repouso é sagrado. Que a contemplação também é caminho. Mas quando o medo nos veste com a roupa do conformismo, não é paz, é estagnação!
Mas acho mesmo que não devemos imaginar a zona de conforto propriamente como um erro. E, sim, como um lugar de passagem. Um abrigo provisório. Um banco de praça, onde nos sentamos para descansar um pouco e respirar fundo, antes de continuarmos a andar…
Quem sabe, talvez viver seja isso: levantar-nos a cada dia com gentileza e coragem, acenarmos para a quietude, como quem agradece pelo acolhimento, e seguirmos em frente, atrás dos nossos sonhos, caminhando em direção ao desconhecido, sem medo ou preguiça, pois é lá que pulsa a vida. E lembrando-nos sempre de que os sonhos não vivem em águas paradas. Eles pedem movimento. Pedem coragem. Às vezes, pedem até o incômodo da travessia.
E que tenhamos sempre em mente, como uma espécie de alerta, que a Zona de Conforto é o lugar onde todos os sonhos morrem…
___________________________ FIM _________________________________
✒️ THE TEMPLE OF STAGNATION
There is a quiet place within us where everything feels safe. Its warm, predictable, and calm. There are no botehrsome winds, no unpleasant surprises…
It is the territory of sameness, which I often call the Temple os Stagnation, where the days walk by like monks in a line, always repeating the same rituals. Life unfolds in soft circles, like prayers chanted in silence. There, time makes no demands, nor is the soul called to grow up.
Some people call this routine, but most often, it is know as teh Comfort Zone – where nothing hurts us, nothing is asked of us, but also nothing moves us, nothing transforms us…
That’s what I unexpectedly realized while watching a small bird on the balcony of a building next to mine, pecking at the food of a very old cat who didn’t seem to mind sharing his meal with the little intruder.
Every day the bird came, pecked at the generous cat’s food, rested for a few minutes, and flew away. It flew far, until it became just a tiny dot in the sky – only to return the next day, always following the same routine.
And so it went , for weeks…
But one day, the cat died, and the food was gone.
The bird landed, looked for the food, waited, and flew away.
It never came back.
In that moment, I had an epiphany! It struck me like a zen koan: comfort, when it turns into dependency, becomes a prision! It’s subtle and almost imperceptible, but it traps us!
And this curious example also show us how life, ever watchful, invites us to try flying to new places – even if we’ve grown used to certains crumbs, in the samme spot, day after day.
When the spirit senses there are no more lessons to learn with, in a certain place, it time to leave.
And for that reason, I believe, we are given the gist of dreaming, of longing for new fligths, of always desiring more. But of ocourse it takes courage, initiative, and determination to fulfill our dremas-without letting fear or the false sense of safety offered by inertia paralyze us!
Master Dogen, a Zen Buddhist master born in the year 1200, ised to say: “To pratice the Way is to forget the self.” And perhaps forgetting the self means leaving behind the place where the ego settles and convinces itself that all is well. That it’s good enough. That there’s no need to search anymore…
To the great thinkers of the East, life is impermanent. Everything flows: water runs, fire burns, wid blows, the being transforms. And when the being does not trnasform, it falls ill.
From a spiritist poit of view, we are here to evolve. Each incarnation is a sacred opportunity for learning, for new attempts, for overcoming… And every time we settle into inner stillness out of fear of failure, attachment to safety, or refusal to face some pains, we stop working on our own evolution.
The ego, on the other hand, loves stagnation. It feels strong when nothing changes. The ego seeks control, guarantees, repetition. Tha is why it loves the confort zone: there, ti is not challenges to dissolve…
Of course, silence has its value. Rest is sacred. Contemplation is also a path. But when fear dresses us in the clothes of comformism, it’s not peace – it’s paralysis!
Yet I believe we shouldn’t see the comfort zone as a mistake. Rather, it is a place os passage. A temporary shelter. A park bench where we take a deep breath before walking on…
Pherhaps living is just that: rising each day with gentleness and courage, waving to stillness as on thanks it for support, and moving forwards, in pursuit of our dreams, walking toward the unknow – whitouht fear or laziness-because that where life pulses. And always remembering that dreams no not live in stagned waters. They demand movement. They demand courage. Sometimes, they even demand the discomfort ot the crossing.
And let us always keep in mind, as a kind of warning, that the Comfort Zone is the place where all dreams die…
_________________________ THE END _____________________________
Kenya, parabéns! Excelente texto reflexivo dotado de inspiração e desejo ardente pela mudança, no melhor aspecto da palavra. É movimento que transforma, interna e externamente, conforme direcionamos o leme dos nossos sonhos. Vida é movimento. As pausas diárias são necessárias para distribuirmos nossa energia potencial para a ação cinética do zeitgeist. 😊
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Mário, meu querido amigo!
Obrigada por sua doce visita!
Ganhei o meu dia!
Confesso que eu tenho uma tendência enorme para me acostumar com essa tal de Zona de Conforto. É uma luta diária, para mim, tentar abraçar os movimentos da vida, razão pela qual resolvi escrever sobre…
Mas eu também falo sobre outras coisas!
Se quiser dar um pouco de risada, por exemplo, leia “Tai-Chi, um golpe na minha Ignorância”, onde narro exatamente como foi a minha primeira aula desta maravilhosa luta marcial que tive no Templo Zu Lai, em Cotia.
Também no templo Zu Lai, durante uma aula de Chi Kung, passei por uma experiência extremamente singular, e que me levou às lágrimas: a vida, como sempre, trazendo presentes inesperados.
Falo sobre isso no texto “O Chi Kung e a Árvore da Vida”
Mas, se quiser um texto só para se distrair, trazendo um pouco de leveza para o seu dia, leia
“Entre o Céu e o Chão”.
Enfim, bem vindo ao meu mundo!
Eu moro aqui!
Muitas bênçãos para você e os seus! 🪷
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Como sempre, excelente texto!
Parabéns!
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Gratidão!🙏
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Adoro tudo o que você escreve !!!
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Eu também!
kkkkkk
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