Quando o medo vira brincadeira!
O dia 31 de outubro está chegando e é o dia em que bruxas, fantasmas, monstros e criaturas de todos os tipos ganham as ruas!
Mas de onde veio o Halloween e por que gostamos tanto de assustar, de mentirinha?
Uma das raízes mais conhecidas do Halloween é o Samhain, que em gaélico (gaélico é o adjetivo utilizado para se referir aos antigos povos celtas, originários da Gália, Escócia ou Irlanda) significa: fim do verão.
No hemisfério norte, ele marcava a passagem para os meses frios e escuros, depois da época das colheitas. Também era considerado uma espécie de começo de ano.
Com o tempo, tradições ligadas ao Samhain se misturaram às celebrações cristãs, como a da véspera do Dia de Todos os Santos, All Hallows’ Eve, expressão que acabou ficando encurtada para Halloween.
Até hoje, historiadores ainda discutem como essas tradições se relacionam, de modo que é mais cuidadoso dizer que o Halloween tem raízes diversas, dentre elas, a celta.
Naquela época, os povos antigos acreditavam que, na noite de transição entre as estações, os mundos dos vivos e dos mortos ficavam mais próximos. O fino véu, que os separava, erguia-se, e as almas dos mortos e dos seres sobrenaturais podiam visitar a Terra.
Mas por que usar fantasias assustadoras, neste dia?
Para responder à esta pergunta, costumam-se apontar 3 motivos principais:
1- Confundir os espíritos:
Por medo, o povo daquela época usava máscaras, ou peles de animais, com o intuito de se disfarçar de entes malignos e, assim, confundir os maus espíritos que vagavam pela Terra. A ideia era que, em estando fantasiadas, as pessoas pudessem passar desapercebidas por essas entidades macabras, evitando-se, assim, de serem atacadas.
Naqueles tempos antigos também era comum acenderem-se grandes fogueiras comunitárias, em busca de proteção, assim como também era muito comum fazerem-se oferendas de comida para agradar às almas penadas, bem como procurar garantir fartura de alimentos para o inverno rigoroso, que viria.
2- Homenagem aos mortos:
A festa originalmente marcava o fim do verão e início do inverno, sendo um período comumente associado à escuridão(*) e ao luto de entes queridos. Era uma espécie de mistura entre reverência aos mortos com o medo de entidades do mau.
(*) Aqui, vale a pena um pequeno comentário que nos ajuda a compreender o comportamento das comunidades daquela época: os países nórdicos, sobretudo a Irlanda, adquirem características bastante cinzentas, com dias extremamente curtos, durante o inverno. Escurece muito cedo e a sensação de falta de luz solar é bastante intensa. Mesmo quando o sol aparece, ele fica abaixo do horizonte, sua intensidade é fraca, tipo “luz de geladeira”, e, portanto, não aquece. Nestas condições, o corpo produz pouca vitamina D, o que pode ocasionar desânimo, fadiga constante e alterações de humor como o conhecido SAD (Seasonal Affective Disorder, em português: Transtorno Afetivo Sazonal). A percepção de tempo muda bastante, nos dias de inverno destes países. Às 16h00, por exemplo, parece que já é meia-noite! Por esse motivo, para os povos daquela época, associar a chegada do inverno com tempos obscuros e tristes torna-se bastante compreensível, dentro do contexto do Halloween.
3- Evolução comercial e cultural:
A festa ganhou novas formas, quando as tradições europeias atravessaram o Atlântico, através de imigrantes vindos especialmente da Irlanda.
Hoje, a tradição perdeu o sentido estritamente espiritual, dando espaço para a cultura pop, filmes de terror e fantasias variadas, indo de monstros clássicos até heróis e personagens cômicos. E como o mercado fatura muito com o tema Halloween, ele obviamente acaba incentivando toda manifestação cultural neste sentido.
ALGUMAS CURIOSIDADES QUE CABEM DENTRO DE UMA CESTA DE DOCES!
- AS ABÓBORAS ILUMINADAS (Jack-o’-lantern)
A tradição começou na Irlanda, com a lenda de um homem chamado Jack Miserável, que enganou o Diabo, e, como castigo, foi condenado a vagar pela eternidade sem poder entrar no céu, nem no inferno. O Diabo lhe deu apenas um carvão, em brasa, para iluminar seu caminho. Jack colocou o carvão dentro de um nabo esculpido.
A mudança para a abóbora: Originalmente, os irlandeses esculpiam nabos, beterrabas e batatas. Quando os imigrantes chegaram aos Estados Unidos, descobriram que as abóboras nativas eram muito maiores, mais macias e fáceis de esculpir. A mudança foi óbvia!
- AS BRUXAS, AS VASSOURAS E OS GATOS
A imagem da bruxa com chapéu pontudo e caldeirão vem de uma mistura de preconceitos históricos com antigas culturas pagãs. As mulheres que conheciam ervas medicinais e rituais da natureza eram vistas pelos “negacionistas da época” como ameaças para a Igreja. E eram rotuladas como bruxas.
A vassoura: Era usada em rituais de fertilidade da terra dos povos antigos, onde as pessoas pulavam montadas em vassouras para mostrar até que altura o plantio deveria crescer.
O gato preto: Na Idade Média, a Igreja Católica associou os gatos pretos a rituais pagãos. Criou-se o mito de que as bruxas podiam se transformar em gatos pretos, ou que esses animais eram “espiões” enviados pelo demônio. No século XIII, o Papa Gregório IX emitiu uma bula que associava diretamente os gatos pretos ao satanismo, o que infelizmente desencadeou uma perseguição e matança, em massa, desses pobres animais, na Europa. Como o preto já era a cor associado ao luto, à noite e ao desconhecido, cruzar com um gato preto, na rua, passou a ser visto pelas pessoas supersticiosas como um “mau presságio”.
- DOCES OU TRAVESSURAS (Trick or Treat)
Essa brincadeira tem raízes em duas práticas europeias antigas:
Samhain: Como já dissemos anteriormente, os celtas deixavam oferendas de comida e bebida, do lado de fora de suas casas, para agradar os maus espíritos e garantir fartura, no inverno.
Souling: Na Idade Média, durante as celebrações cristãs de Finados, os cidadãos mais pobres batiam, de porta em porta, para pedir comida. Em troca de um bolo chamado “bolo das almas” (soul cake), eles prometiam fazer orações pelos parentes mortos da família que os alimentava. Com o tempo, a tradição nos Estados Unidos evoluiu para o costume de as crianças pedirem doces em troca de não pregarem peças, ou fazerem travessuras.
- OS MORCEGOS e VAMPIROS
Morcegos: A ligação dos morcegos com o Halloween vem das grandes fogueiras acesas pelos celtas durante o festival de Samhain. O calor e a luz do fogo atraíam milhares de insetos voadores, o que, por consequência, atraía bandos de morcegos que vinham caçá-los. A visão daqueles animais escuros, voando ao redor das chamas, gerou uma associação imediata com forças sobrenaturais.
Vampiros: Ganharam força no folclore europeu e explodiram na cultura pop com o livro Drácula (1897) de Bram Stoker. No Halloween, eles representam o medo do desconhecido e o mito da imortalidade. A conexão com os morcegos se fechou quando cientistas descobriram que nas Américas havia espécies de morcegos que se alimentavam de sangue: os assim denominados “morcegos-vampiros”!
Enfim, uma festa que começou lá atrás, em idos tempos, com o ritual de colheita entre antigos camponeses europeus, reverência aos mortos e posterior associação à celebração da Igreja Católica da Véspera do Dia de Todos os Santos, o famoso All Hallows’ Eve. Aliás, esta festa costumava ocorrer em maio. Mas a Igreja Católica, por intermédio do Papa Gregório III, mudou a data estrategicamente para a mesma época do festival pagão celta, Samhain, com o objetivo explícito de cristianizar a antiga celebração dos mortos. Séculos depois, o que restou foram as fantasias, as luzes, as guloseimas e o prazer de brincar com os nossos próprios medos!
E talvez seja essa, a magia do Halloween: vestir o medo com uma máscara, rir das sombras e descobrir que até o susto pode virar brincadeira!
Que o seu Halloween seja super divertido e à altura de toda a tradição que ele envolve!
E se, do nada, alguma sombra sinistra aparecer para você, não se assuste! Às vezes pode ser só uma fantasia, querendo brincar, também!
___________________________ FIM _________________________________